A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou, em 18 de maio de 2026, uma nova indicação terapêutica para o medicamento Enhertu — nome comercial do trastuzumabe deruxtecana. Com a decisão, o remédio, em combinação com o pertuzumabe, passa a ser indicado para o tratamento de primeira linha de pacientes adultos com câncer de mama HER2-positivo irressecável ou metastático.
O câncer de mama HER2-positivo se destaca por apresentar comportamento mais agressivo e maior risco de progressão, especialmente nas fases avançadas e quando há metástase. Estima-se que aproximadamente 20% dos diagnósticos de câncer de mama se enquadrem nessa categoria.
O câncer de mama é o tipo que mais mata mulheres, com 37 mil mortes por ano no Brasil. O Instituto Nacional de Câncer (Inca) projeta 78.610 casos novos por ano entre 2026 e 2028. Para quem desenvolve a forma HER2-positiva avançada — quando o tumor não pode ser removido por cirurgia ou já se espalhou para outras partes do corpo —, as opções de tratamento sempre foram mais restritas.
Segundo a Anvisa, a nova indicação permite que o remédio, administrado junto ao pertuzumabe, seja ofertado como tratamento de primeira linha. A decisão foi embasada em estudo clínico que comprovou benefício significativo na sobrevida livre de progressão da doença.
O diferencial do Enhertu está na sua tecnologia. O medicamento pertence a uma nova geração de fármacos chamados anticorpos conjugados à droga (ADC). Na prática, segundo informações divulgadas pela fonte original, ele age identificando células que carregam o receptor HER2 e libera o tratamento diretamente nelas, reduzindo a exposição de tecidos saudáveis em comparação com a quimioterapia convencional.
A combinação aprovada busca maior controle da doença desde o início do tratamento, atuando em células com superexpressão de HER2. A aprovação segue estudo clínico que indicou melhoria na sobrevida livre de progressão, além de melhor controle da doença e tempo de resposta.
Para especialistas, a decisão da Anvisa representa um passo concreto na oncologia de precisão. Segundo a oncologista Fabrísia Coutinho, da Santa Casa de Maceió, o tratamento do câncer de mama exige cada vez mais individualização: "Conhecer o perfil molecular do tumor permite oferecer terapias direcionadas e melhores resultados", afirmou a médica, conforme informações divulgadas pelo portal Cada Minuto.
Ela lembra que, até poucos anos atrás, o diagnóstico HER2-positivo era associado a um curso mais sombrio da doença. "Hoje temos mais opções, mais possibilidades de controle da doença e pacientes vivendo mais e melhor. Esse é o grande objetivo da evolução da oncologia", destacou a especialista.
Apesar do avanço, o acesso ainda é um obstáculo. O avanço amplia opções terapêuticas no Brasil e reforça a tendência de oncologia de precisão, com tratamento cada vez mais direcionado e, embora não haja cura, melhor qualidade de vida. No entanto, o alto custo do medicamento limita seu uso à saúde suplementar por enquanto, enquanto especialistas e entidades médicas discutem como ampliar o acesso pelo sistema público.
A expectativa é que a nova indicação, aliada às discussões em curso sobre incorporação de tecnologias no SUS, possa beneficiar um número maior de pacientes brasileiras nos próximos anos.






