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Vaticano devolve artefatos indígenas ao Canadá, incluindo máscaras

O Vaticano devolveu 62 artefatos culturais indígenas ao Canadá, incluindo um caiaque inuíte e clavas de guerra.

Redação ChicoSabeTudoRedação · Política
17 de novembro, 2025 · 09:38 1 min de leitura
Organizações indígenas questionam o discurso do Vaticano de que os artefatos seriam “presentes” (Imagem: ItalyDrones/iStock)
Organizações indígenas questionam o discurso do Vaticano de que os artefatos seriam “presentes” (Imagem: ItalyDrones/iStock)

O Vaticano devolveu ao Canadá 62 artefatos indígenas, incluindo clavas de guerra, máscaras e um caiaque inuíte, após mais de 100 anos sob sua custódia. A cerimônia de devolução ocorreu no último sábado (15) durante uma audiência com o Papa Leão XIV e representantes da Conferência Canadense de Bispos Católicos (CCCB), no Palácio Apostólico.

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A nota conjunta emitida pelo Vaticano afirma que o Papa deseja que o gesto represente um sinal de diálogo e respeito. “Trata-se de um ato de partilha eclesial, com o qual o Sucessor de Pedro confia à Igreja no Canadá estes artefatos, que testemunham a história do encontro entre a fé e as culturas dos povos indígenas”, enfatiza a declaração.

A CCCB anunciou que realizará a transferência dos objetos para as Organizações Nacionais Indígenas (ONIs), que, por sua vez, garantirão que os itens sejam devolvidos às comunidades de origem. Esses artefatos foram originalmente enviados a Roma por missionários entre 1923 e 1925 e integraram o patrimônio do Museu Etnológico do Vaticano em resposta à Exposição Missionária Vaticana de 1925.

Durante sua visita ao Canadá em 2022, o Papa Francisco se encontrou com comunidades indígenas e pediu perdão pelos abusos sofridos por essas populações em instituições católicas, comprometendo-se a avaliar pedidos de devolução de itens culturais. A devolução atual está inserida nas celebrações do Jubileu de 2025, que simboliza esperança e reconciliação.

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A ministra das Relações Exteriores do Canadá, Anita Anand, declarou a satisfação do governo canadense com o avanço do processo, ressaltando a importância do reconhecimento da herança cultural indígena e o apoio aos esforços de verdade e justiça. Entretanto, representantes de comunidades indígenas expressaram a necessidade de identificação detalhada dos artefatos, afirmando que cada item deve ser identificado adequadamente, garantindo o direito de cada nação sobre seu patrimônio.

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