O ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), está sob forte pressão no Senado. Mesmo depois de ter deixado a relatoria do caso Master na mais alta corte do país, ele pode ter que responder a investigações em três frentes diferentes no Congresso, todas focadas em suas ligações com o banqueiro Daniel Vorcaro e o Banco Master.
As ações buscam clarear as relações do ministro, seus familiares e empresas ligadas a eles com o fundo Arleen, que possui laços com Vorcaro. A situação ganhou destaque após denúncias de irregularidades e a intervenção de órgãos fiscalizadores.
CPI do Crime Organizado: Quebras de Sigilo e Convocações
A primeira e talvez mais intensa frente de apuração vem da CPI do Crime Organizado. O presidente do colegiado, senador Fabiano Contarato (PT-ES), marcou uma reunião deliberativa para o próximo dia 24, onde diversos requerimentos serão votados. Muitos desses pedidos miram no caso Master e, diretamente, nos familiares do ministro Dias Toffoli.
O próprio Contarato propôs quebrar os sigilos bancário, fiscal, telefônico e telemático da Reag Investimentos e de seu fundador, João Carlos Mansur. A Reag entrou no radar das autoridades depois que a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) começou a investigar operações com ações do Banco Master e da própria gestora, levantando suspeitas. As denúncias fizeram a Polícia Federal investigar o fundo Reag, e o Banco Central, mais tarde, decretou a liquidação extrajudicial da empresa.
Publicidade"A CPI do Crime Organizado cumpre uma função constitucional de investigar e fiscalizar a atuação de organizações criminosas que se utilizam do sistema financeiro nacional. Não podemos nos omitir diante desse escândalo", defendeu o senador Contarato, reforçando o compromisso da comissão em apurar a fundo as denúncias.
O relator da comissão, senador Alessandro Vieira (MDB-ES), também apresentou requerimentos para investigar as relações entre ministros do STF e o Banco Master. Ele quer aprovar pedidos para convocar os irmãos de Dias Toffoli para depor e pedir a quebra dos sigilos bancário, fiscal e telefônico da empresa Maridt Participações S.A.
Nesta semana, o ministro Dias Toffoli admitiu ser sócio da Maridt. A empresa, ligada à sua família, vendeu uma parte do Resort Tayaya para o Fundo Arleen, que, por sua vez, tem ligação com Daniel Vorcaro, o dono do Banco Master. Senadores Magno Malta (PL-ES) e Eduardo Girão (Novo-CE) também querem que o próprio ministro Toffoli compareça para depor na CPI. No entanto, é importante lembrar que um entendimento do STF diz que ministros do Supremo não podem ser obrigados a ir a uma CPI, atuando apenas se quiserem colaborar.
Pedidos de Impeachment: Novo Partido Lidera a Oposição
A segunda frente de problemas para Toffoli vem dos pedidos de impeachment. Nesta quinta-feira (12), o partido Novo protocolou mais um desses pedidos, com 51 assinaturas, incluindo a do senador Paulo Paim (PT-RS). As lideranças do partido afirmam que o ministro não tem "moral" para seguir no cargo, alegando que ele, como relator da investigação do Banco Master, teria recebido dinheiro de um fundo ligado à instituição e tomado decisões que dificultaram a apuração.
Este novo documento se soma a outros 25 pedidos de impeachment contra o ministro Dias Toffoli. Desse total, três citam especificamente o caso Master como motivo, sendo os mais recentes protocolados em 26 de janeiro de 2026, 3 de fevereiro de 2026 e 6 de fevereiro de 2026. Essas representações, apresentadas por cidadãos comuns, aguardam uma decisão do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP).
Outros quatro pedidos de impeachment de Toffoli, feitos em 2025, ainda esperam análise. Dois deles, protocolados em 12 de agosto de 2025, mencionam a decisão de Toffoli de dezembro de 2023, que suspendeu o pagamento de uma multa de R$ 10,3 bilhões aplicada à J&F (grupo JBS) no acordo de leniência da Lava Jato.
Comissão Independente: Uma CPI "Informal"
Uma terceira linha de investigação pode surgir com a comissão independente presidida pelo senador Renan Calheiros (MDB-AL). Esse grupo, composto por sete senadores, tem o objetivo de acompanhar de perto as investigações sobre o caso Master. Funcionando dentro da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE), que Renan também preside, a iniciativa atua como um grupo de trabalho com poderes importantes:
- Solicitar informações oficiais;
- Apresentar requerimentos de convocação;
- Promover debates públicos sobre o andamento das apurações.
A ideia é que essa comissão tenha uma atuação parecida com a de uma CPI informal, monitorando investigações que correm sob sigilo no STF e no Tribunal de Contas da União (TCU). Recentemente, Renan Calheiros e os membros do grupo se reuniram com o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e com o presidente do STF, Edson Fachin.
Após os encontros, o senador Renan Calheiros defendeu que a comissão tivesse acesso a todos os documentos relacionados às investigações do Banco Master. Ele enfatizou que o papel do Senado é fortalecer o trabalho da Polícia Federal, o que pode incluir o envolvimento do ministro Dias Toffoli com Daniel Vorcaro nas apurações.







