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Política

Presidente do Vitória critica BYD: 'Desrespeito com o povo baiano'

O presidente do Vitória, Fábio Mota, detonou a proposta de patrocínio da montadora BYD, classificando-a como 'absurda' e 'desrespeitosa' com o futebol baiano, comparando-a com o valor oferecido ao Corinthians.

Redação ChicoSabeTudoRedação · Política
13 de fevereiro, 2026 · 13:12 3 min de leitura
Foto: Victor Ferreira/ ECV | Divulgação
Foto: Victor Ferreira/ ECV | Divulgação

O presidente do Vitória, Fábio Mota, usou palavras fortes para descrever a mais recente oferta de patrocínio da montadora de carros BYD (Build Your Dreams) ao clube rubro-negro. Em entrevista ao Bahia Notícias nesta quinta-feira (13), Mota classificou a proposta como "absurda e indecorosa" e um "desrespeito ao povo e ao futebol baiano", revelando detalhes da negociação que, segundo ele, já dura dois anos.

Proposta "absurda" e a comparação com o Corinthians

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A principal indignação do dirigente é a grande diferença entre o valor oferecido ao Vitória e o montante que a BYD vai investir no Corinthians, um clube de São Paulo. Mota contou que a montadora, que tem uma fábrica em Camaçari, na Bahia, e ainda por cima recebe isenção fiscal do estado, ofereceu ao Vitória apenas 10% do que será pago ao time paulista. O Corinthians, aliás, já vai exibir a marca da BYD no ombro do uniforme até o fim do ano.

"Há dois anos a BYD procura o Vitória, mas nunca fez uma proposta concreta para o clube. Acho um absurdo, porque a BYD tem fábrica aqui na Bahia, conta com isenção do governo do estado e vai patrocinar o Corinthians. Não é justo oferecer ao Vitória 10% do que será investido no Corinthians. Reconheço que o Corinthians tem torcida maior, mas a do Vitória não representa 10% da deles", disse Fábio Mota.

O Esporte Clube Bahia, rival do Vitória, também teria recebido uma oferta semelhante da montadora chinesa. Para Mota, a situação é mais do que uma simples negociação: é um afronta à comunidade e ao esporte local.

Desafios do futebol nordestino e a expectativa local

Fábio Mota foi além e pontuou as dificuldades que os clubes do Nordeste enfrentam. Ele explicou que fazer futebol nesta região é muito mais complicado, citando problemas de logística e financeiro. Para ilustrar, ele lembrou que, na última edição da Série A do Campeonato Brasileiro, dos quatro times que caíram para a Série B, três eram do Nordeste.

"É um absurdo oferecer a um clube baiano apenas 10% do que é destinado a um clube do Sudeste. Chega a ser desrespeitoso com o povo da Bahia. Fazer futebol no Nordeste já é difícil, tanto que na edição da Série A do ano passado, dos quatro rebaixados, três eram do Nordeste. Já enfrentamos dificuldades logísticas, o Vitória viaja três vezes mais em distância. Os clubes do eixo têm folhas salariais até cinco vezes maiores que a do Vitória", desabafou o presidente rubro-negro.
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O dirigente ressaltou que, quando uma empresa grande se instala no próprio estado, como a BYD em Camaçari, cria-se uma expectativa natural de apoio e reconhecimento ao esporte local. Mas, segundo ele, a proposta apresentada não reflete esse reconhecimento, sendo "indecorosa" e uma "falta de respeito com o povo baiano e com o futebol da Bahia".

Abertura para novas negociações e o cenário BYD no Brasil

Apesar da forte crítica, o Vitória recusou a proposta da BYD, mas deixou claro que está aberto para retomar as conversas. A condição é que a montadora apresente uma oferta que o clube considere respeitosa e justa.

A BYD, conhecida por seus veículos elétricos e híbridos, tem uma presença significativa no Brasil. A empresa ocupa o complexo industrial de Camaçari, na Bahia, onde antes funcionava a fábrica da Ford. Além de carros, a BYD também atua na fabricação de baterias e no desenvolvimento de soluções em energia limpa.

No cenário de patrocínios, além do Corinthians, a empresa também firmou recentemente um acordo com o City Football Group (CFG), um conglomerado global de clubes de futebol que, curiosamente, é o mesmo grupo que administra o Esporte Clube Bahia, rival do Vitória.

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