Paulo Afonso · BA
Última hora
Operação prende 14 suspeitos em Salvador nesta manhãSTF retoma julgamento sobre marco temporal nesta tardeVitória empata em casa pela Copa do BrasilVagas de emprego no polo de Camaçari saltam 22%Salvador registra maior volume de chuva do mês
PI 637
Política

Auditoria federal detecta opacidade e falhas de planejamento em convênio de saneamento rural na Bahia

Relatório da CGU questiona gastos de R$ 1,5 milhão em cinco municípios baianos, incluindo cidades do Norte do São Francisco, onde cada sanitário seco chegou a custar R$ 14 mil sem justificativa de preços.

Redação ChicoSabeTudoRedação · Política
19 de maio, 2026 · 04:39 3 min de leitura
Módulo sanitário sustentável instalado em área rural da Bahia
Módulo sanitário sustentável instalado em área rural da Bahia

A Controladoria-Geral da União (CGU) identificou irregularidades e falta de transparência na execução de um convênio firmado entre a Secretaria da Agricultura, Pecuária, Irrigação, Pesca e Aquicultura da Bahia (Seagri) e a Fundação Luís Eduardo Magalhães (Flem), segundo relatório de auditoria divulgado nesta terça-feira (19). O documento mira o convênio nº 08/2022, voltado para saneamento rural em cinco cidades baianas.

Publicidade

Os municípios contemplados foram Remanso, Campo Alegre de Lourdes e Casa Nova, no Norte baiano — todos na região do São Francisco —, além de Capela do Alto Alegre, na Bacia do Jacuípe, e Caetité, no Sudoeste do estado. O projeto previa a instalação de 100 módulos sanitários sustentáveis, com investimento total de R$ 1,5 milhão, dos quais R$ 1 milhão provenientes das chamadas Emendas Pix, modalidade de repasse parlamentar sem destinação específica prévia.

A auditoria apontou que o projeto tinha prazo inicial de execução de seis meses, mas acumulou quatro termos aditivos e um quinto estava em processo de aprovação, o que estenderia a vigência até setembro de 2025 — quase três anos após o início. Para a equipe técnica da CGU, essa duração é, por si só, um indicativo de falhas de planejamento.

Outro ponto crítico do relatório é o custo por unidade instalada: cada módulo chegou a custar cerca de R$ 14 mil. O órgão de controle registrou que a Flem não apresentou estudos de preços nem orçamentos que comprovassem a compatibilidade dos valores com o mercado. A fundação detém certificação exclusiva para gerenciar e instalar a tecnologia alemã usada nos sanitários secos, mas a CGU deixou claro que essa exclusividade não dispensa a obrigação de detalhar e justificar os custos.

Publicidade

A transparência também foi alvo de críticas. Segundo o relatório, a Flem não disponibiliza em seu site informações mínimas sobre os recursos públicos recebidos nem sobre a forma como foram aplicados, limitando-se à divulgação institucional. O órgão federal reforçou que cabe ao poder público adotar mecanismos que garantam fiscalização adequada, independentemente de quem executa o serviço.

O convênio foi assinado, à época, pelo então presidente da Flem, Rodrigo Hita, e pelo secretário da Seagri, Leonardo Bandeira, vice-prefeito de Juazeiro que se licenciou do cargo para assumir a pasta estadual de agricultura durante o governo Rui Costa — ambos filiados ao PSB. O relatório não aponta indícios de desvio de recursos, mas exige providências para regularização das falhas identificadas.

O contexto em que o convênio se insere é sensível. Municípios como Remanso e Campo Alegre de Lourdes convivem historicamente com déficit grave de saneamento básico. A proposta de instalar sanitários secos em áreas rurais do semiárido baiano tem potencial para beneficiar famílias que vivem sem acesso a esgotamento sanitário — o que torna ainda mais relevante a cobrança por rigor na aplicação dos recursos.

O projeto piloto dos módulos sanitários sustentáveis surgiu originalmente em Casa Nova e foi expandido via convênio com a Seagri. A Flem, responsável pela execução, utiliza tecnologia de origem alemã, com certificação exclusiva da fundação para instalação e gestão no Brasil. A CGU não questiona a tecnologia em si, mas a ausência de comprovação de que os preços praticados são compatíveis com o mercado.

O relatório não detalha punições ou prazos para resposta dos envolvidos. Cabe agora à Seagri e à Flem apresentarem as justificativas e a documentação exigidas pela auditoria federal.

Leia também