O tabuleiro eleitoral da Bahia para 2026 tem movimentado os bastidores da política com uma questão que ainda não tem resposta pública: quem será o primeiro suplente do senador Jaques Wagner (PT) na sua candidatura à reeleição? E um nome vem ganhando força nos corredores: a deputada federal Lídice da Mata (PSB), atual presidente do PSB na Bahia.
Segundo apuração do portal A TARDE, Lídice teria cerca de 60% de chance de aceitar o convite do petista para compor a chapa. No entanto, a parlamentar mantém publicamente o discurso de que disputará a reeleição à Câmara dos Deputados — e deve continuar assim até que a decisão esteja amadurecida.
A postura de negar o convite em público não é nova. Segundo relatos, Wagner teria feito a sondagem em duas ocasiões, ambas recusadas formalmente pela deputada. Em entrevista ao Blog do Valente, em fevereiro deste ano, Lídice negou que será suplente e reafirmou que disputará vaga na Câmara dos Deputados.
Por trás das negativas públicas, porém, o cenário interno do PSB pesa bastante na equação. Lídice enfrenta concorrência crescente dentro do próprio partido na disputa por vagas proporcionais. Conforme informações divulgadas pelo portal A TARDE, o PSB na Bahia passou a contar com nomes competitivos, como o deputado federal Mário Negromonte Júnior e o deputado estadual Vitor Bonfim — ambos na fila para uma cadeira de deputado federal em outubro. No fim do ano passado, a própria Lídice havia admitido que seria preciso "fazer contas" antes de definir sua estratégia eleitoral.
Na base governista, o nome da parlamentar é visto como uma escolha segura. Ela é tida como figura de confiança do grupo e de fácil diálogo político. Além disso, a aceitação do convite manteria o espaço do PSB na chapa — o atual primeiro suplente de Wagner é o ex-vice-prefeito de Ilhéus, Bebeto Galvão, também filiado ao partido. Em um almoço recente com o presidente nacional do PSB, João Campos, o próprio Bebeto disparou uma série de críticas ao senador petista, reclamando de nunca ter assumido a titularidade do mandato, "amargando oito anos" na suplência.
Outro cálculo que entra na conta: o líder do Governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), confirmou que será candidato à reeleição ao Senado em 2026. Caso Wagner e Lula sejam reeleitos, avalia-se nos bastidores que Lídice poderia assumir o mandato de senadora em uma eventual licença do petista para ocupar cargo no governo federal.
A movimentação em torno da suplência também tem um efeito colateral que interessa ao PT. Segundo fontes ouvidas pelo portal A TARDE, a saída de Lídice da disputa pela Câmara abriria caminho para dois outros candidatos: o deputado estadual Vitor Bonfim, próximo ao PT, e Lucas Reis, chefe de gabinete de Jaques Wagner e pré-candidato a deputado federal pelo PT.
Levantamento do Instituto Veritá divulgado em abril de 2026 indica Jaques Wagner na liderança da corrida por uma das vagas ao Senado, com 27,2% das intenções de voto. Com duas vagas em disputa, os ex-governadores Rui Costa e Jaques Wagner, ambos do PT, lideram a corrida pelas cadeiras, segundo pesquisa da Séculus Análise e Pesquisa.
No Brasil, o candidato ao Senado registra diretamente dois suplentes junto à Justiça Eleitoral. Os suplentes não recebem votos separados — e assumem o mandato automaticamente caso o senador eleito se afaste por renúncia, morte, cassação ou licença para exercer outro cargo. O primeiro suplente tem prioridade; se ele não puder ou não quiser assumir, a vaga passa ao segundo. Essa regra torna a escolha dos suplentes uma peça estratégica nas negociações entre partidos aliados.







