A ialorixá conhecida como Mãe Deca denunciou ter sido alvo de ataques de racismo religioso contra o terreiro que dirige, o Ilê Axé Toná Onirê. A comunidade fica no distrito de Acupe, em Santo Amaro, no Recôncavo Baiano.
O caso veio a público neste domingo (13), por meio da Associação Brasileira de Preservação da Cultura Afro-Ameríndia (AFA).
Segundo o relato de Mãe Deca, um homem identificado como Sandro, apontado como pastor na região, teria destruído por duas vezes um assentamento do Orixá Exú que fica em frente ao terreiro. Ele é tratado como suspeito, já que não há confirmação oficial sobre a autoria.
Depois dos episódios, a ialorixá procurou a AFA, que por sua vez acionou a Ronda Omnira, unidade da Polícia Militar da Bahia (PMBA) voltada ao atendimento de comunidades de matriz africana.
Em nota, a Polícia Militar informou que "tem realizado rondas na região para garantir a segurança e a tranquilidade das comunidades religiosas". A corporação afirmou ainda que a responsável pelo terreiro "foi orientada a comparecer a uma delegacia, acompanhada de testemunhas, para registrar a ocorrência e adotar os procedimentos necessários para evitar novos episódios".
A PM relatou que, segundo as informações que recebeu, "o caso teria ocorrido no mês de agosto". Sobre o andamento da apuração, a corporação orientou que informações sobre a investigação e seus desdobramentos devem ser obtidas junto à Polícia Civil.
A Polícia Militar também afirmou que reafirma "o compromisso com a proteção dos direitos culturais e religiosos".
Até o fechamento desta reportagem, a Polícia Civil não havia respondido aos pedidos de informação sobre o registro da ocorrência e o andamento das investigações.
Um levantamento independente sobre terreiros vinculados à Associação Beneficente Bembé do Mercado confirma a existência do terreiro na localidade de Acupe e identifica a liderança como Vanderlina da Silva Santos, conhecida como Mãe Deca. Segundo esse documento, a entidade tem entre suas bandeiras a preservação das tradições das religiões de matriz africana em Santo Amaro e o combate ao racismo e à intolerância religiosa. O material, porém, não traz detalhes sobre os ataques relatados neste caso específico.







