Representantes sindicais que defendem servidores ativos, aposentados e pensionistas do município de Maceió (AL) foram à Superintendência Regional da Polícia Federal em Alagoas na quarta-feira (18) para formalizar um pedido de investigação criminal. O alvo é a aplicação de mais de R$ 117 milhões do Instituto de Previdência dos Servidores do Município de Maceió (IPREV) em letras financeiras do Banco Master, operação realizada durante a gestão do ex-prefeito João Henrique Caldas, o JHC (PSDB).
O documento foi entregue à superintendente regional da PF, delegada Bruna Rizzato Barbosa, acompanhado de um dossiê técnico com dados oficiais, informações previdenciárias, denúncias enviadas a órgãos de controle, reportagens investigativas e análises sobre a governança do IPREV. Segundo as entidades, os recursos têm natureza previdenciária e pertencem a milhares de servidores que contribuem mensalmente para garantir suas aposentadorias e pensões.
O presidente do Sinteal, Izael Ribeiro Gomes, explicou que a mobilização não é recente. "Desde novembro nós entramos com um pedido ao Tribunal de Contas da União para investigar para onde foram os R$ 117 milhões do Banco Master. De lá para cá, nós não tivemos respostas", declarou, segundo informações divulgadas pelo portal IT Notícias. Agora, os sindicatos buscam uma resposta da Polícia Federal.
Além das letras financeiras do Banco Master, o dossiê aponta que o IPREV também teria realizado investimentos em fundos imobiliários. Ao todo, o instituto maceioense aplicou R$ 117 milhões em letras financeiras do Banco Master, além de R$ 51 milhões em fundo imobiliário. Os sindicatos afirmam desconhecer os critérios adotados para a escolha desse fundo e como ocorre o acompanhamento desses recursos.
O caso de Maceió está inserido em um contexto nacional mais amplo. Conforme dados oficiais do Ministério da Previdência Social, dezenas de entes públicos de todo o país aplicaram, entre 2023 e 2024, aproximadamente R$ 1,86 bilhão em letras financeiras emitidas pelo Banco Master. Maceió foi a única capital do país a realizar aportes ao Master, e proporcionalmente, o valor de R$ 117 milhões supera, inclusive, o investido pelos governos estaduais do Amapá e do Rio de Janeiro na instituição financeira.
A PF já deflagrou operações relacionadas ao Banco Master em diferentes estados. A Operação Take Over, deflagrada em 10 de junho, aumentou a pressão em torno das aplicações de regimes próprios de previdência no Banco Master — a operação cumpriu mandados de busca e apreensão em Pernambuco e no Rio de Janeiro para investigar possíveis irregularidades no fundo previdenciário do município de Paulista (PE). Os sindicatos pedem que Maceió seja incluída nesse esforço investigativo.
Um dos principais pontos de convergência entre os casos é a atuação da consultoria Crédito & Mercado, empresa que assessorou tanto o instituto paulista quanto o IPREV de Maceió nas operações financeiras. A consultoria está no radar da Polícia Federal por sua participação na recomendação de aplicações milionárias com recursos de regimes próprios de previdência. No caso de Maceió, documentos do próprio IPREV mostram que o CEO da empresa, Renan Calamia, participou de reunião do comitê de investimentos em 29 de novembro de 2023, quando apresentou o Banco Master como oportunidade. Dois dias depois, o IPREV aprovou investimento inicial de R$ 80 milhões no banco.
O Banco Master teve a liquidação extrajudicial decretada pelo Banco Central em novembro de 2025. A gestão do prefeito João Henrique Caldas (JHC) aplicou cerca de R$ 117 milhões do IPREV em letras financeiras do Banco Master sem cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC). As entidades sindicais alertam que eventual prejuízo ao patrimônio do instituto pode exigir aportes futuros do Tesouro Municipal para garantir o pagamento das aposentadorias, impactando toda a população de Maceió.
Izael Ribeiro Gomes também criticou ações judiciais movidas por JHC contra veículos de comunicação que noticiaram o caso. Segundo ele, a transparência é inegociável quando se trata do dinheiro da aposentadoria de milhares de trabalhadores. O dirigente cobrou explicações tanto da gestão anterior quanto da atual administração municipal, e afirmou que o objetivo central do dossiê é subsidiar a PF para que os recursos retornem aos cofres da previdência.







