O Tribunal Regional Eleitoral da Bahia (TRE-BA) rastreou acessos ao perfil fake "Jerolândia Bahia" — investigado por disseminar conteúdos falsos contra o governador Jerônimo Rodrigues (PT) — até endereços de internet vinculados à Prefeitura de Salvador. As informações foram fornecidas pela própria Companhia Salvador Cidade Inteligente (Smart), empresa municipal responsável pela infraestrutura de rede da capital baiana.
Nos registros da rede corporativa, o usuário identificado aparece como "Marcos Moraes". O TRE-BA determinou que a Secretaria Municipal da Educação (Smed) informe, no prazo de dois dias, a identificação completa e o endereço da pessoa apontada, já que um dos IPs utilizados para acessar o perfil estava ligado à estrutura da pasta.
A investigação também identificou outro acesso por meio da rede pública instalada no Mercado Municipal de Cajazeiras. Segundo a decisão, o perfil criado para substituir a página anteriormente suspensa utilizava "infraestrutura de rede pública municipal" e funcionava como um veículo apócrifo dedicado exclusivamente à "produção de desinformação em massa".
Segundo a decisão judicial, mídias anexadas ao processo comprovam o uso de inteligência artificial para criar conteúdos sintéticos conhecidos como deepfakes, que simulavam a voz e a imagem do governador, associando-o, sem qualquer comprovação, a facções criminosas e a supostas falhas na gestão da saúde pública.
Diante dos elementos reunidos, o caso foi encaminhado ao Ministério Público Eleitoral para apurar possível abuso de poder político, conduta vedada ou crime eleitoral. A decisão foi proferida pelo desembargador eleitoral Isaías Vinícius de Castro Simões, após o perfil "Jerolândia" violar novas regras estabelecidas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), em 2024, que regulamentam o uso de Inteligência Artificial no período eleitoral.
A Prefeitura de Salvador, por sua vez, contesta as conclusões do processo. A administração municipal negou que a estrutura da Smed tenha sido usada para acessar o perfil ou disseminar conteúdo nas redes sociais, afirmando que uma auditoria técnica encomendada pela própria Prefeitura chegou a conclusão diferente da apontada no processo.
Segundo o documento, o endereço de IP citado no processo não identifica um equipamento específico, já que se trata de um IP público compartilhado pela rede da Prefeitura, utilizada simultaneamente por cerca de 30 mil dispositivos conectados. A gestão municipal sustenta que isso inviabilizaria qualquer conclusão baseada exclusivamente nessa informação.
O documento enviado ao TRE-BA também aponta uma inconsistência técnica entre o número da porta de conexão informado pela Meta e os registros oficiais dos servidores da Prefeitura para o mesmo horário. Segundo a nota municipal, a auditoria indicou que o computador vinculado à Smed acessava apenas o WhatsApp Web no horário apontado nos autos, sem registro de acesso ao Facebook — e que o acesso à rede social teria ocorrido por um celular conectado ao Wi-Fi público "Conecta Salvador", no Mercado de Cajazeiras, cujos dados do usuário foram identificados e encaminhados à Justiça Eleitoral.
O caso acontece em meio à disputa pelo governo da Bahia nas eleições de outubro. Jerônimo Rodrigues (PT) e o ex-prefeito de Salvador, ACM Neto (União Brasil), buscam o Palácio de Ondina. A ação que originou a investigação foi movida pela Federação Brasil da Esperança (PT, PCdoB e PV), e as big techs Google Brasil, Meta, além da provedora Go Internet e Telecom e a própria Smart também foram acionadas no processo.







