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Política

PV questiona no STF lei que afrouxa licenciamento ambiental

O Partido Verde entrou com uma ação no STF para derrubar a Lei Federal nº 15.190/25, conhecida como 'PL da Devastação', alegando que ela enfraquece a proteção ambiental no Brasil.

Redação ChicoSabeTudoRedação · Política
18 de dezembro, 2025 · 14:30 3 min de leitura
Foto: Divulgação / Reprodução / Gustavo Moreno / STF
Foto: Divulgação / Reprodução / Gustavo Moreno / STF

O Partido Verde (PV) tomou uma atitude importante no Supremo Tribunal Federal (STF) ao entrar com uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI). O alvo é a Lei Federal nº 15.190/25, mais conhecida como "PL da Devastação", que teve seus vetos presidenciais derrubados e agora flexibiliza as regras para o licenciamento ambiental no Brasil.

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Para o PV, essa nova lei é um grande passo para trás na proteção do meio ambiente em todo o país. O partido argumenta que ela segue um caminho perigoso, parecido com outras leis estaduais que já foram barradas por relaxarem demais as normas ambientais.

O que o Partido Verde questiona na nova lei?

A petição enviada ao STF aponta vários problemas sérios na legislação. Um dos principais é o aumento das situações em que não será preciso ter uma licença ambiental para começar um projeto. Além disso, a licença ambiental que pode ser feita por "autodeclaração" virou regra, o que significa que as próprias empresas podem se declarar em conformidade, sem uma análise rigorosa prévia.

O PV também está preocupado com as ameaças que essa lei pode trazer para biomas importantes, como a Mata Atlântica. Outro ponto crítico é a exclusão da análise de como os projetos podem impactar comunidades indígenas e quilombolas, que são grupos historicamente vulneráveis e dependem diretamente de seus territórios.

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A ação do partido também critica fortemente a redução das responsabilidades de órgãos federais cruciais para a defesa do meio ambiente e das culturas. Instituições como o ICMBio (que cuida das unidades de conservação), a Funai (indígenas), o Iphan (patrimônio histórico) e até o Ministério da Agricultura teriam suas atribuições diminuídas. Isso, segundo o PV, enfraquece o controle do governo sobre o que acontece com o nosso meio ambiente.

"Ao reduzir o papel do órgão gestor de unidades de conservação à mera ciência prévia de estudos potencialmente impactantes e ao redesenhar, em sentido regressivo, a destinação da compensação ambiental e a coordenação federal sobre a Mata Atlântica, a lei cria um cenário no qual danos robustos podem surgir sem o devido crivo dos órgãos especializados, em afronta direta ao princípio da precaução", diz um trecho da ADI.

Não para por aí. A ação contesta também a diminuição da responsabilidade socioambiental de bancos e outras instituições financeiras que dão dinheiro para projetos rurais. Outra preocupação é a "anistia" para empreendimentos que já estavam irregulares, pois agora eles podem conseguir uma espécie de "licenciamento corretivo", o que, para o partido, premia quem não seguiu as regras desde o começo. A possibilidade de ter uma licença para um projeto sem antes ter a autorização para usar a água também é questionada.

Para o Partido Verde, essas mudanças no sistema de licenciamento ambiental são um retrocesso grave. Eles alertam que, se a lei continuar valendo, corremos o risco de consolidar um modelo que vai contra tudo o que a Constituição Federal estabelece sobre o direito a um meio ambiente equilibrado.

"Quando o legislador, por meio de um diploma abrangente como a Lei Geral do Licenciamento Ambiental, promove rebaixamento estrutural do nível de tutela do meio ambiente, o próprio transcurso do tempo sob a vigência da norma representa risco de consolidação de um modelo incompatível com o Estado de Direito Ambiental desenhado pela Constituição", adverte a petição do PV.

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