O deputado federal José Rocha, do União Brasil, representante da Bahia, se vê no centro de uma polêmica. Ele é acusado de ter direcionado, de forma isolada, um impressionante montante de R$ 152 milhões de recursos que viriam do chamado orçamento secreto.
Essa quantia, segundo a denúncia, deveria ter sido distribuída entre os parlamentares da Comissão de Integração Nacional da Câmara dos Deputados. Na época dos fatos, Rocha ocupava a presidência dessa comissão, posição que, de acordo com as acusações, teria sido usada para beneficiar sua base eleitoral.
Entenda a Acusação e os Valores Envolvidos
A denúncia, inicialmente divulgada pela colunista Andreza Matais, do portal Metrópoles, aponta que o deputado José Rocha não teria cumprido um acordo prévio feito com as lideranças do grupo. Em vez de repartir os recursos, ele teria indicado verbas para 84 cidades da Bahia, seu principal reduto eleitoral. Outras 34 cidades de fora do estado também teriam sido contempladas.
Documentos que a coluna teve acesso indicam que o parlamentar teria usado seu cargo para direcionar R$ 88 milhões especificamente para seu reduto. Os outros deputados da comissão só descobriram a manobra quando perceberam que as emendas que esperavam não estavam sendo repassadas. Quando questionado, o Ministério responsável teria confirmado que seguiu a lista de indicações feita pelo deputado.
Ainda de acordo com a publicação, a assessora parlamentar Mariângela Fialek, carinhosamente conhecida como Tuca, que era responsável por organizar as planilhas de emendas, foi quem identificou a ação. José Rocha teria conseguido direcionar R$ 53 milhões, um valor que chama atenção por ser bem superior à média de R$ 11 milhões que seus colegas indicaram em 2024 para o orçamento secreto. Essa movimentação teria ocorrido mesmo após um pedido do deputado federal Arthur Lira, presidente da Câmara, que tentou barrar a ação de Rocha.
A Defesa de José Rocha e o Contexto Político
Em sua defesa, José Rocha questionou a veracidade dos documentos que fundamentam a denúncia. Ele negou veementemente ter usado seu cargo de Presidente da Comissão de Integração Nacional para direcionar emendas a seu favor.
“A tentativa de envio de R$ 152 milhões seria uma invenção de quem tem culpa no cartório”, afirmou o deputado.
Rocha também negou qualquer responsabilidade, alegando que não tinha 'competência' para distribuir as emendas da comissão somente para a Bahia. Ele argumentou que todas as emendas eram, na verdade, controladas pelo presidente da Casa, Arthur Lira.
Essa denúncia chega em um momento peculiar para o deputado. José Rocha é, atualmente, o principal denunciante em uma investigação que o Supremo Tribunal Federal (STF) conduz. Essa investigação mira justamente a destinação irregular de emendas parlamentares no Congresso Nacional. A situação levanta questões sobre a dinâmica do uso de recursos públicos e a transparência na política brasileira.







