A chegada do governador de Goiás, Ronaldo Caiado, ao Partido Social Democrático (PSD) agitou o cenário político nacional, especialmente as discussões sobre as candidaturas à presidência da República. Contudo, esse movimento inesperado também trouxe um impacto direto e significativo para a política na Bahia, dando ao senador Angelo Coronel um trunfo importante para tentar sua reeleição.
A Jogada Nacional que Beneficia Coronel na Bahia
A filiação de Ronaldo Caiado ao PSD surpreendeu a muitos e, ao lado de outros governadores como Ratinho Jr. e Eduardo Leite, solidifica a intenção do partido de ter um candidato próprio à presidência. Essa postura nacional do PSD, buscando uma "terceira via" que transite entre o antipetismo e a extrema-direita, cria um desafio para o presidente do PSD na Bahia, Otto Alencar, que indica não haver espaço para um palanque presidencial do partido no estado. Dificilmente o presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, aceitará sem problemas essa posição, mostrando que a amizade política tem seus limites quando há um projeto maior em jogo.
É nesse contexto que o senador Angelo Coronel ganha força. A necessidade de o PSD ter palanques estaduais para seu candidato presidencial torna a porção do partido ligada a Coronel um ativo valioso, complicando a vida do Partido dos Trabalhadores (PT) na Bahia.
O Dilema do PT Baiano: Manter o Aliado ou Arriscar
Para o PT, a eleição do governador na Bahia continua sendo uma prioridade máxima. Não apenas pelo peso local, mas também como uma estratégia crucial para garantir uma margem ampla de votos para o presidente Lula no estado. Perder o apoio do PSD, ou mesmo da ala de Angelo Coronel, é uma aposta muito alta que poderia gerar um racha significativo dentro do principal aliado.
Esse risco faz com que o nome de Coronel volte a circular com boas chances de integrar a chapa governista para a reeleição. A questão, porém, é encontrar o espaço para ele.
O Nó da Reeleição no Senado
A vaga ao Senado na chapa governista na Bahia está bastante concorrida, com nomes de peso já anunciados:
- Jaques Wagner: Já disse mais de uma vez que é candidato à reeleição no Senado.
- Rui Costa: Anunciou que deixará a Casa Civil do governo federal em março para disputar uma vaga ao Senado.
- Jerônimo Rodrigues: Candidato à reeleição ao governo do estado.
Nessa disputa de "bola dividida", alguém precisaria ceder, e na política, o altruísmo é uma raridade. Isso transforma uma chapa que antes poderia parecer "imbatível" em algo mais frágil, mesmo que a musculatura política de Coronel seja questionada por alguns.
Caminhos de Coronel: Oposição ou Independência?
Caso não haja a possibilidade de Coronel concorrer à reeleição na chapa do governo, ele teria duas opções claras:
- Uma candidatura avulsa, garantindo um palanque independente para o candidato presidencial do PSD.
- Migrar para a oposição, mesmo que, formalmente, o PSD esteja coligado com o PT na Bahia.
Em ambos os cenários, o PT sairia perdendo bastante, especialmente em uma eleição que pode ser decidida por uma diferença pequena de votos. Essa dubiedade no jogo político não é novidade, mas tem um peso considerável.
O movimento de Kassab quase que obriga que ele esteja nas urnas. A escolha de qual caminho seguir, todavia, não é apenas dele. Depende do PT da Bahia engolir a seco um aliado nem tão aliado assim ou encará-lo como um adversário integralmente.
A Oportunidade da Oposição e ACM Neto
Para a oposição na Bahia, que precisava de um nome para o Palácio do Planalto distante do bolsonarismo, a possibilidade de um candidato do PSD é um verdadeiro salva-vidas. O ex-prefeito de Salvador, ACM Neto (União), que viu o nome de Ronaldo Caiado ser vetado na federação União Progressista, agora tem a chance de se posicionar sem o prejuízo de ser imediatamente tachado de anti-lulista.
Os presidenciáveis do PSD – Caiado, Ratinho Jr. e Eduardo Leite – podem adotar um tom de moderação, ideal para transitar entre o antipetismo e a extrema-direita. ACM Neto tentou essa mesma "terceira via" em 2022, mas ainda assim foi criticado como bolsonarista pelo petismo, apesar de Lula ter conquistado muito mais votos que Jerônimo Rodrigues no segundo turno.
Agora, sem uma candidatura da federação União Progressista, ACM Neto se sente mais "livre" para apoiar nomes que não sejam Lula ou a representação bolsonarista, como o senador Flávio Bolsonaro. No fim das contas, a movimentação no cenário nacional fortalece Angelo Coronel, que agora tem um trunfo valioso para forçar o PT a aceitá-lo ou para buscar uma candidatura independente ou na oposição, moldando de forma decisiva o panorama eleitoral na Bahia.







