O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), retirou nesta terça-feira (1º) o sigilo de um relatório da Polícia Federal que reúne mensagens trocadas entre o banqueiro Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, e o ministro Alexandre de Moraes. A decisão, tomada pelo relator do caso Master, expôs uma crise institucional na Corte e provocou uma onda de pedidos de impeachment contra Moraes no Congresso.
Segundo a PF, os diálogos foram trocados nos dias que antecederam a primeira prisão de Vorcaro, em 17 de novembro de 2025, quando ele tentava embarcar em um jato particular rumo a Malta. Dois dias antes, o banqueiro perguntou a Moraes: "Acha que segunda já tenho que estar fora?". Em outras mensagens, Vorcaro pediu que o ministro intercedesse junto ao diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e ao procurador-geral da República, Paulo Gonet, e afirmou ter uma "dívida de vida" com Moraes.
As mensagens eram enviadas por captura de tela de um bloco de notas, em formato de visualização única. Por isso, o conteúdo das respostas de Moraes não foi recuperado, embora a perícia tenha identificado, por metadados, que o ministro enviou pelo menos quatro mensagens a Vorcaro no dia da prisão. A própria PF ressalva que não concluiu que Moraes tenha cometido crime ou atendido a pedidos do banqueiro, e o ministro não foi formalmente incluído como investigado.
Ainda assim, a divulgação acirrou o clima no STF. Segundo apuração da colunista Andreza Matais, do Metrópoles, uma conversa reservada entre Moraes e Mendonça sobre o caso terminou em bate-boca e quase resultou em agressão física. O procurador-geral, Paulo Gonet, por sua vez, pediu ao STF a nulidade do relatório, alegando que Mendonça agiu sem autorização do plenário da Corte para investigar um colega de tribunal.
No Congresso, o senador Carlos Viana (PSD-MG) protocolou o 54º pedido de impeachment contra Moraes, sob acusação de "advocacia administrativa". O deputado Marcel Van Hattem (Novo-RS) anunciou que também pedirá a prisão preventiva do ministro, e outros nove senadores defenderam seu afastamento em discursos no plenário. Os documentos citam ainda um contrato de R$ 131 milhões entre o Banco Master e o escritório de advocacia da esposa de Moraes, Viviane Barci de Moraes.
Cabe agora ao presidente do STF, ministro Edson Fachin, decidir se convoca uma sessão pública do plenário para analisar o material. Até o momento, a defesa de Moraes não se manifestou publicamente sobre o caso.







