O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou a transferência do ex-presidente Jair Bolsonaro para a prisão domiciliar humanitária. A decisão foi assinada apenas um dia depois de uma reunião reservada entre o ministro e a ex-primeira-dama, Michelle Bolsonaro.
Michelle foi ao gabinete de Moraes na última segunda-feira sem levar advogados ou assessores. Durante o encontro, ela relatou que o estado de saúde de Bolsonaro exige cuidados constantes, destacando o risco de crises de broncoaspiração durante a noite, o que impediria o ex-presidente de dormir sozinho na cela.
Para sensibilizar o ministro, Michelle descreveu a rotina da família, mencionando que ela mesma prepara as refeições do marido e conta com a ajuda do irmão e da filha, Laura, na logística de entrega. O tom emocional da conversa teria sido decisivo para o pedido de transferência para a residência em Brasília.
Esta não foi a primeira vez que Michelle buscou diálogo direto com o magistrado. Em janeiro, uma visita semelhante resultou na transferência de Bolsonaro para a Papudinha. Desta vez, o foco foi a necessidade de assistência médica contínua que o ambiente doméstico poderia oferecer melhor que o sistema prisional.
A iniciativa de Michelle, no entanto, gerou desconforto dentro da própria família. O senador Flávio Bolsonaro, que é advogado e integra a defesa oficial do pai, teria ficado incomodado com a ida da ex-primeira-dama ao STF sem acompanhamento jurídico.
Nos bastidores políticos, a atitude de Michelle foi interpretada por alguns aliados como uma tentativa de assumir sozinha o protagonismo em uma vitória judicial importante para o ex-presidente, ignorando a estratégia formal montada pelos advogados do PL.







