A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, afirmou nesta sexta-feira, 7, que a estatal vai expandir sua capacidade de refino independentemente do desfecho das negociações para recomprar a Refinaria de Mataripe (ex-RLAM), em São Francisco do Conde, no Recôncavo baiano. A declaração foi dada durante coletiva de imprensa sobre os resultados financeiros da companhia no segundo trimestre deste ano.
Segundo a executiva, o plano de aumentar o parque de refino da empresa será cumprido "com Mataripe ou sem Mataripe". Ela deixou claro, no entanto, que a preferência da estatal é fechar negócio com a atual controladora da unidade.
"Esperamos que isso possa ser feito com Mataripe, mas para isso acontecer, vamos ter de contar com um preço adequado ao valor de mercado do ativo", disse Chambriard, condicionando qualquer avanço nas tratativas a um valor compatível com o mercado.
Antes da fala da presidente, o diretor financeiro e de relacionamento com investidores da Petrobras, Fernando Melgarejo, já havia informado que não houve evolução nas discussões entre a estatal e a Acelen, empresa que controla a refinaria desde 2021.
A refinaria foi vendida naquele ano à Acelen, controlada pelo fundo Mubadala Capital, de Abu Dhabi. Segundo apuração do mercado financeiro, o negócio original foi fechado por US$ 1,65 bilhão, e o valor do ativo é justamente um dos pontos centrais das negociações atuais entre as duas partes.
Além de tratar sobre Mataripe, Chambriard detalhou as metas de refino da companhia para os próximos anos. Segundo ela, o objetivo no plano estratégico 2026-2030 é atingir 85% do mercado nacional de diesel, com a meta subindo para 100% do consumo do país no ciclo seguinte, entre 2027 e 2031, independentemente da conclusão ou não da compra da refinaria baiana.
A fala sobre Mataripe ocorreu no mesmo dia em que a Petrobras divulgou lucro líquido de R$ 52,4 bilhões (US$ 10,4 bilhões) no segundo trimestre de 2026, valor 97% maior que o registrado no mesmo período de 2025. A estatal atribuiu o resultado a recordes na produção de óleo, que chegou a 2,7 milhões de barris por dia, e a um fator de utilização do parque de refino de 101%, além do crescimento das exportações, que se aproximaram de um milhão de barris diários.







