A presidente da Lupo Sports, Liliana Aufiero, afirmou que o modelo de tributação brasileiro resultou na transferência da fábrica da empresa para o Paraguai, uma alternativa que oferece vantagens fiscais. Em entrevista à Folha de São Paulo, publicada neste domingo (16), a empresária, neta do fundador Henrique Lupo, detalhou os impactos da nova lei 14.789/2023, que modifica as regras de incentivos fiscais referentes ao ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços).
Liliana destacou que a mudança resultou em uma significativa redução nos lucros da companhia, forçando a Lupo a expandir sua produção para o exterior. "Não é que a Lupo foi para o Paraguai, o Brasil empurrou a gente para o Paraguai", afirmou, referindo-se à recente inauguração de uma nova unidade fabril em Ciudad del Este, realizada em junho.
Segundo a empresária, a instalação paraguaia, que recebeu um investimento de R$ 30 milhões, possui uma capacidade de produção de até 20 milhões de pares de meias por ano e gera aproximadamente 110 empregos. A diferença nos custos de produção, que são pelo menos 28% inferiores em comparação ao Brasil, também foi um fator determinante para a decisão de relocação.
A Lupo enfrenta uma concorrência significativa no Paraguai, especialmente de uma fábrica de meias pertencente a um empresário chinês, que tem se destacado no mercado brasileiro. Liliana ressaltou que competir com esse novo entrante, que consegue oferecer produtos a preços mais baixos sem a mesma necessidade de investimento em marca, representa um desafio adicional.
A situação evidencia as dificuldades enfrentadas pelas indústrias brasileiras perante uma estrutura tributária que, segundo líderes do setor, compromete a competitividade e o desenvolvimento de empresas no país. O futuro da Lupo e a evolução do setor estarão sob o olhar atento de analistas e investidores diante desse novo cenário.







