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Política

Lula E Políticos Baianos Debatem Fiol Com Empresários Chineses

Presidente Lula e líderes da Bahia se reúnem com empresários da China e Portugal para avançar no projeto da Ferrovia de Integração Oeste-Leste (Fiol), visando investimentos e empregos no estado.

Redação ChicoSabeTudoRedação · Política
30 de janeiro, 2026 · 00:53 3 min de leitura
Foto: Divulgação
Foto: Divulgação

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva promoveu na última segunda-feira (26) uma reunião crucial e fora da agenda oficial, no Palácio do Planalto, com empresários ligados a estatais chinesas e importantes figuras políticas da Bahia. O foco principal do encontro foi acelerar as discussões em torno da bilionária Ferrovia de Integração Oeste-Leste (Fiol), um dos pilares de infraestrutura do Novo PAC, que promete transformar a logística do país.

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Entre os presentes, a comitiva baiana foi robusta, incluindo o ministro da Casa Civil, Rui Costa; o líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT); o governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues (PT); e o secretário da Casa Civil do governo baiano, Afonso Florence. Do lado dos investidores, destacou-se Manuel Antonio, vice-presidente do Conselho de Administração do Grupo Mota-Engil, uma multinacional portuguesa de engenharia. Curiosamente, a principal acionista da Mota-Engil é a estatal chinesa China Communications Construction Company (CCCC), que detém 32,4% do seu capital, evidenciando o elo estratégico com a China.

A Fiol: Um Corredor de Exportação Estratégico

A Ferrovia de Integração Oeste-Leste foi pensada para ser um gigantesco corredor de exportação, conectando a produção do interior do Brasil a portos-chave, com especial atenção ao litoral baiano. Este projeto tem atraído olhares de empresas tanto nacionais quanto internacionais. A CCCC, por exemplo, já havia manifestado formalmente seu interesse nas obras em março de 2025.

A conversa entre o presidente Lula e os empresários chineses acontece em um período de intensificação das relações diplomáticas e econômicas do Brasil com a China, ao mesmo tempo em que o país também busca uma reaproximação com os Estados Unidos, grande concorrente da China no cenário global.

Reunião Revelada Pelo Governador da Bahia

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Apesar de ter ocorrido na segunda-feira, o encontro só veio a público na quinta-feira (29), quando o governador Jerônimo Rodrigues compartilhou a novidade em suas redes sociais. Na publicação, Jerônimo descreveu o objetivo da reunião de forma clara e objetiva:

“TBT de uma reunião importante que tive, na segunda-feira, ao lado do presidente Lula, em diálogo com o vice-presidente do Conselho de Administração do Grupo Mota-Engil, Manuel Antonio. Seguimos trabalhando para atrair investimentos, gerar empregos e fortalecer o desenvolvimento da Bahia com diálogo e parceria”, escreveu o governador.

A Fiol, um projeto que já recebeu dezenas de bilhões de reais em investimentos ao longo de mais de uma década, é dividida em trechos. O Trecho 1, que vai de Caetité a Ilhéus, teve suas obras suspensas pela Bamin, empresa responsável, em março de 2025, mesmo com cerca de 75% da execução já finalizada. Mesmo com essa indefinição, o governo publicou, em setembro do mesmo ano, o edital para a construção da Fiol II, que terá uma extensão de 35,75 quilômetros.

Parceria Brasil-China para Conectar o Pacífico

Em um movimento que expande ainda mais a parceria com a China, em julho de 2025, os governos brasileiro e chinês assinaram um acordo para estudar uma ligação ferroviária ambiciosa. Essa ferrovia uniria o território brasileiro ao porto de Chancay, no Peru, com o propósito de facilitar as exportações para a China e todo o mercado asiático, prometendo reduzir custos e o tempo de transporte.

Pelo Brasil, o acordo foi firmado pela Infra S.A., ligada ao Ministério dos Transportes; pela China, o responsável foi o Instituto de Pesquisa e Planejamento Econômico China Railway. O governo federal prevê que a ferrovia partirá da Bahia, atravessará Goiás, Mato Grosso, Rondônia e Acre, até alcançar o porto peruano. Os estudos vão analisar a estrutura logística nacional, focando na intermodalidade e na sustentabilidade econômica, social e ambiental, abrangendo ferrovias, rodovias e hidrovias. Ainda não há uma estimativa de custo, que será definida após as análises técnicas.

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