Um certo burburinho começou a incomodar os partidos que apoiam o governador Jerônimo Rodrigues na Bahia. A razão? A insistência em falar publicamente sobre uma chapa “puro-sangue” do PT para as eleições de 2026, com nomes apenas do partido, está deixando muita gente de fora da conversa. Isso não acontece só com o PSD, mas com outros aliados importantes da base governista.
A ideia de uma chapa com a reeleição de Jerônimo Rodrigues para o governo, Jaques Wagner para o Senado, e a chegada de Rui Costa também como candidato ao Senado, enquanto movimenta o PT, parece ter travado o diálogo com as outras siglas. Os partidos aliados sentem que não estão sendo consultados sobre o futuro político, principalmente sobre as vagas de vice-governador e as suplências do Senado.
O que está em jogo e quem se sente de fora
Hoje, a vaga de vice é ocupada por Geraldo Jr., do MDB. Além disso, as suplências do Senado ganham peso, pois podem virar posições temporárias caso Luiz Inácio Lula da Silva consiga a reeleição e chame senadores para ministérios. São justamente essas peças do tabuleiro que geram a maior insatisfação, que, por enquanto, é discreta, mas está crescendo nos bastidores.
“Não há alinhamento automático”, confidenciou um dos aliados, que costuma estar presente nas discussões importantes. Ele reforça que as informações sobre as eleições chegam “truncadas” e muitas vezes pela imprensa, sem a tão esperada “conversa olho no olho” entre os parceiros políticos.
A situação é ainda mais curiosa porque o próprio governador Jerônimo Rodrigues havia estabelecido o mês de março como um prazo para esses debates. No entanto, até agora, não houve um encontro oficial da base para tratar do assunto. A reclamação não vem só dos partidos maiores, mas também de siglas menores que tradicionalmente caminham junto com o PT.
Pedido de agilidade e o caso PSD
Há um clamor por agilidade. “Defendemos que, antes do Carnaval, haja uma conversa com os partidos. Não dá para adiar mais. Até agora está tudo num círculo muito restrito e não é uma tradição do nosso lado”, afirmou outro membro da base, evidenciando a urgência do tema.
Apesar da reclamação não ser pública, ela é tratada como um assunto cada vez mais sério nos bastidores. O risco de uma ruptura total é pequeno, mas qualquer desentendimento em uma eleição que promete ser apertada pode fazer a diferença nas urnas. Por isso, as fontes ouvidas pelo portal cobram que as discussões avancem logo, antes que o incômodo vire uma insatisfação difícil de controlar.
“Não é só o PT que importa”, desabafou uma das fontes, deixando claro o sentimento de exclusão. A sensação é que apenas petistas estão sentados à mesa para definir os rumos de 2026, deixando todos os outros partidos de lado.
Um exemplo é a situação do PSD. Embora o senador Angelo Coronel esteja travando uma “batalha” pública para tentar se manter como candidato à reeleição, outros aliados do partido reclamam em silêncio de serem deixados de fora. Mesmo com o presidente do PSD da Bahia, Otto Alencar, garantindo apoio ao grupo, a falta de espaço na chapa majoritária gera atritos. A verdade é que nem todos os partidos da base se sentem devidamente representados ou contemplados no atual governo, o que aumenta a pressão por um diálogo mais inclusivo e transparente.







