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Investigada há quase dez anos, dona da produtora do filme de Bolsonaro abriu empresa em Aracaju

Karina Ferreira da Gama fundou a Gama Participações Ltda em Sergipe em fevereiro deste ano, antes de o escândalo ligado ao financiamento de "Dark Horse" vir a público.

Redação ChicoSabeTudoRedação · Política
11 de junho, 2026 · 03:07 3 min de leitura
Fachada de escritório de contabilidade no Bairro Treze de Julho, Aracaju, onde está registrada a Gama Participações Ltda
Fachada de escritório de contabilidade no Bairro Treze de Julho, Aracaju, onde está registrada a Gama Participações Ltda

A empresária Karina Ferreira da Gama, dona da produtora Go Up Entertainment — responsável pelo filme "Dark Horse", cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro —, abriu uma empresa em Aracaju no início deste ano. A revelação levanta perguntas sobre sua presença em Sergipe num momento em que investigações sobre seu nome se multiplicam em todo o país.

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A empresa, Gama Participações LTDA, foi fundada em 23 de fevereiro deste ano com um capital inicial de R$ 100, ou seja, antes de estourar na imprensa o escândalo envolvendo o dinheiro do Banco Master e o financiamento do filme de Bolsonaro. Sua atividade principal cadastrada em Aracaju é de Holdings de instituições não financeiras, de acordo com o código CNAE K-6462-0/00.

O endereço registrado fica na Rua Dr. Moacyr Rabelo Leite, 131, no Bairro Treze de Julho, em Aracaju — um escritório de contabilidade, sem endereço próprio da empresa. No mesmo ano, Karina também virou sócia da Upcon Serviços Especializados Ltda, voltada à construção de edifícios, com sede em Salvador, na Bahia.

Enquanto abria empresas no Nordeste, o nome de Karina já era investigado em várias frentes. A empresária já era alvo de investigações relacionadas ao uso de recursos públicos há quase dez anos. As informações foram reveladas inicialmente pelo The Intercept Brasil e confirmadas em reportagem da colunista Daniela Lima, do UOL, com base em documentos da Controladoria-Geral da União.

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A ONG Instituto Conhecer Brasil (ICB), de Karina Ferreira da Gama, atuou como entidade de fachada para drenar recursos do Sistema S, segundo auditorias da CGU. Entre 2017 e 2018, o Conselho Nacional do Sesi repassou cerca de R$ 11 milhões para a organização realizar a Feira da Cidadania em sete estados. Os levantamentos mostram que ao menos R$ 2,4 milhões desse total foram superfaturados.

O esquema envolveu notas frias, superfaturamento de até 748% e quarteirização de serviços para empresas de fachada. Segundo a CGU, o ICB não tinha funcionários registrados, capital social nem estrutura operacional para executar os projetos. A entidade teria assinado contratos com o CN-Sesi e repassado integralmente os valores a empresas de eventos do Distrito Federal, também sem empregados registrados.

As auditorias identificaram irregularidades em Goiás, Pará, Piauí, Rio Grande do Norte, Tocantins, Maranhão, Bahia e Distrito Federal. No Rio Grande do Norte, por exemplo, o ICB cobrou do Sesi por 20 banheiros químicos e 48 refletores de palco, mas os registros fotográficos da própria prestação de contas da ONG comprovaram a instalação de apenas sete cabines sanitárias e dez refletores.

Karina está sendo investigada também pela Polícia Civil de São Paulo por ter firmado um contrato de R$ 108 milhões para o fornecimento de Wi-Fi para comunidades de baixa renda com a prefeitura da capital paulista. Atualmente, as atividades de Karina Gama estão sob análise da Polícia Federal, da Polícia Civil de São Paulo e do Supremo Tribunal Federal.

A ascensão profissional de Karina coincide com o momento em que conheceu o deputado federal Mario Frias (PL-SP). Os dois foram apresentados quando o ex-ator assumiu a Secretaria de Cultura no governo Bolsonaro, em 2020, e se conectaram por afinidade ideológica. Karina ampliou sua atuação junto a setores da direita política por meio de conexões religiosas e da proximidade com influenciadores e lideranças conservadoras.

O filme sobre Jair Bolsonaro também entrou no radar da Polícia Federal após a revelação de que Flávio Bolsonaro negociou com Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, um aporte de R$ 134 milhões para a produção. A PF pediu quebra de sigilo da produtora responsável por "Dark Horse" para rastrear o caminho do dinheiro.

A pergunta que fica no ar para Sergipe é a mesma feita pelo blog que primeiro levantou o tema no estado: Karina Gama escolheu Aracaju por acaso, ou foi por indicação de algum "padrinho"? Por enquanto, nenhuma autoridade sergipana se manifestou sobre o assunto.

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