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Como a virada de Lula na Quaest embaralha o tabuleiro político de Alagoas em 2026

Avanço do presidente nas pesquisas nacionais pressiona JHC a definir posição e força Arthur Lira a apostar na independência para sobreviver à eleição ao Senado.

Redação ChicoSabeTudoRedação · Política
11 de junho, 2026 · 06:22 3 min de leitura
Mapas e gráficos de pesquisa eleitoral sobre eleições 2026 em Alagoas
Mapas e gráficos de pesquisa eleitoral sobre eleições 2026 em Alagoas

Uma pesquisa raramente fica restrita às planilhas dos institutos. Quando os números mexem com a disputa presidencial, os efeitos chegam rápido às eleições estaduais — e em Alagoas, em 2026, o impacto pode ser sentido ainda mais cedo do que o esperado.

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A pesquisa Genial/Quaest divulgada na quarta-feira (10) mostrou o presidente Lula ampliando sua vantagem sobre o senador Flávio Bolsonaro: 44% a 38% num eventual segundo turno. A mudança é relevante porque encerra um período de instabilidade nos levantamentos. Em maio, os dois apareciam em empate técnico (42% a 41%). Em abril, Flávio liderava numericamente. Em março, havia novo empate. A tendência agora aponta para Lula.

Analistas apontam que o desgaste provocado pela divulgação de áudios envolvendo Daniel Vorcaro e os desdobramentos das ações do governo Trump contra o Brasil podem ter influenciado o cenário. O efeito, porém, não fica apenas no plano federal.

Em Alagoas, onde a corrida ao governo e ao Senado ainda está em aberto, o momento é de definições difíceis. Renan Filho (MDB), pré-candidato ao governo estadual, está alinhado a Lula. No Senado, Renan Calheiros (MDB) busca a reeleição e também apoia o presidente. Do outro lado, o ex-prefeito de Maceió, JHC (PSDB), pré-candidato ao Governo de Alagoas, segue evitando assumir um posicionamento claro sobre as alianças para as eleições deste ano.

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A indefinição de JHC já cobra seu preço nas relações políticas internas. O deputado federal Arthur Lira (PP), pré-candidato ao Senado, declarou à imprensa no último domingo que apoiará qualquer governador que for eleito: "Eu decidi isso essa semana de maneira bem pragmática, qualquer governador que se eleja em Alagoas contará com o meu apoio." A declaração foi lida nos bastidores como um recado direto ao ex-aliado.

Segundo interlocutores próximos ao prefeito, JHC se considera "traído" por Lira e acredita que não haveria mais espaço para recomposição da aliança. A ausência de JHC no evento de lançamento da pré-candidatura de Lira foi lida como sinal concreto desse desgaste. A relação entre os dois, que chegou a ser celebrada como base de uma "chapa completa de direita", vive agora um dos momentos mais críticos desde que foi construída.

Apesar da popularidade na capital, confirmada em sua reeleição de 2024, o ex-prefeito de Maceió não tem apresentado muita força no interior, que segue dividido entre apoiadores do grupo dos Calheiros e de Lira, com vantagem eleitoral para o lado de Renan.

Lira, por sua vez, segue com pragmatismo. A estratégia do deputado parece ser ganhar tempo: ao postergar definições sobre alianças para após julho — quando o calendário eleitoral permite maior clareza sobre candidaturas —, Lira preserva margem de manobra para negociar com diferentes atores do cenário estadual e nacional.

É nesse contexto que a pesquisa Quaest ganha peso político local. Num estado em que o eleitorado do interior historicamente pende para o campo progressista — nas eleições presidenciais de 2022, Lula venceu no interior de Alagoas, garantindo ao PT o estado mesmo com derrota em Maceió —, uma vantagem crescente de Lula nas pesquisas nacionais tende a reforçar o campo de Renan Filho e a pressionar quem ainda tenta manter neutralidade.

Para JHC, a equação ficou mais complexa. O prefeito se coloca como candidato ao governo de Alagoas, mas uma eventual transferência para a base de Lula poderia levá-lo a uma composição com Renan Filho, nome do MDB na disputa majoritária. Isso significaria abrir mão da candidatura própria ao governo. Já uma aproximação mais clara com o bolsonarismo carrega o risco de apostar num campo que, segundo as pesquisas mais recentes, está em desvantagem na largada para 2026.

A política alagoana vive um momento de negociações intensas, em que alianças locais podem sofrer impacto das articulações nacionais e da definição de pré-candidaturas nos próximos meses. A pesquisa Quaest não define eleições, mas ajuda a calibrar apostas — e em Alagoas, ainda há muito a definir.

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