O ex-prefeito de Maceió e pré-candidato ao governo de Alagoas, JHC (PSDB), percorreu neste sábado (30) a feira-livre de Maribondo, no interior do estado, numa demonstração de disposição para a campanha de 2026. Tocou triângulo, dançou com a ex-prefeita de Arapiraca Célia Rocha — cotada como vice na chapa majoritária — e contou com aliados animados ao redor. O problema é que, além do círculo próprio, o entusiasmo não foi muito além.
Segundo informações do portal Cada Minuto, o manifesto realizado na porta da Igreja Matriz local ficou restrito majoritariamente à comitiva de assessores e aliados de primeira hora do pré-candidato. O deputado federal Marx Beltrão (União Brasil) foi um dos destaques da movimentação, carregando uma caixa de som nos braços enquanto dançava ao som do jingle da campanha.
A senadora Eudócia Caldas (PSDB) — mãe de JHC e chamada de "tampão" por ocupar provisoriamente uma cadeira no Senado — também marcou presença. Mas, apesar da festa, a incursão pelo interior escancara uma fragilidade que preocupa os estrategistas da pré-candidatura.
O cenário no interior de Alagoas é adverso para JHC. O senador Renan Filho (MDB) aparece numericamente à frente do pré-candidato em pesquisas recentes, num movimento que coincide com a adesão de prefeitos, ex-prefeitos, vereadores e lideranças regionais à sua pré-candidatura. Segundo informações do Cada Minuto, mais de 80% dos prefeitos e vereadores do estado já declararam apoio aberto ao emedebista.
A mais recente sondagem da Falpe Pesquisas para o governo de Alagoas mostra uma mudança no cenário eleitoral: Renan Filho ultrapassou JHC e aparece numericamente na liderança da disputa pelo Palácio República dos Palmares, com 41,75% das intenções de voto contra 37% do pré-candidato tucano.
O peso de Arapiraca no cenário é emblemático: o município concentra o segundo maior colégio eleitoral de Alagoas e exerce influência política em cidades do Agreste. O prefeito da cidade, Luciano Barbosa (MDB), é considerado um "fiel da balança" nas eleições, mas não oficializou apoio a nenhum dos dois lados.
Se no interior o desafio é furar o cinturão do MDB, na capital JHC enfrenta um problema de outra natureza. A aplicação de R$ 117 milhões de recursos do Instituto de Previdência dos Servidores de Maceió (Iprev) no Banco Master, realizada durante sua gestão, virou alvo de cobrança no Senado em meio a questionamentos sobre a segurança dos recursos previdenciários e possíveis impactos para aposentados e pensionistas do município.
A Polícia Federal pediu ao STF a abertura de uma investigação específica sobre o aporte. O valor foi repassado durante a gestão municipal de JHC. O pedido foi encaminhado ao ministro André Mendonça, relator do caso Master, e ainda aguarda despacho.
Maceió foi a única capital do país a realizar aportes ao Master. Proporcionalmente, o valor de R$ 117 milhões supera, inclusive, o investido pelos governos estaduais do Amapá e do Rio de Janeiro na instituição financeira.
O dinheiro foi aplicado durante a gestão JHC no Banco Master, que teve a falência decretada pelo Banco Central em novembro de 2025, sem a cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC). O vereador e ex-prefeito Rui Palmeira (PSD) afirmou que Maceió "é o município que mais perdeu dinheiro" com o banco liquidado.
Para JHC, o desafio de 2026 é duplo: conquistar um interior dominado pela máquina emedebista e, ao mesmo tempo, conter o desgaste que cresce na própria capital. Jingles e dancinhas de feira livre ajudam a construir imagem, mas dificilmente bastam para responder a questões sobre o dinheiro dos aposentados.







