A Assembleia Legislativa da Bahia (AL-BA) pode se tornar palco para uma homenagem ao renomado ator baiano Wagner Moura. A iniciativa partiu da deputada estadual Fátima Nunes, do Partido dos Trabalhadores (PT), que apresentou uma proposta para reconhecer não apenas a brilhante carreira artística do ator, mas também seu forte posicionamento político, especialmente suas críticas ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
A parlamentar protocolou um Projeto de Resolução (PRS) na última segunda-feira, dia 19. Nele, a deputada Fátima Nunes faz um percurso pela trajetória de Wagner Moura, que se consolidou tanto no cenário nacional quanto internacional, mas faz questão de frisar a importância da voz do artista em questões sociais e democráticas.
“Ferrenho crítico ao ex-presidente Jair Bolsonaro, o qual classifica como um fascista, Wagner Moura tem levado sua ideologia e sua consciência política para o mundo, quando destaca a importância do fortalecimento da Democracia e o combate ao autoritarismo no nosso país”, justificou a deputada petista, destacando o papel de Moura como defensor da democracia.
A carreira de Wagner Moura é rica em sucessos. Sua ascensão no teatro começou no ano 2000, com a peça “A Máquina”, de João Falcão, onde brilhou ao lado de nomes como Lázaro Ramos e Vladimir Brichta. Esse espetáculo abriu as portas para o ator no cinema e na televisão. Em 2007, ele encantou o público como o personagem “Boca” no filme “Ó Paí, Ó”, uma produção gravada no histórico Pelourinho, em Salvador, na Bahia. Três anos depois, em 2010, Wagner retornou às telonas para dar vida novamente ao Capitão Nascimento em “Tropa de Elite 2: O Inimigo Agora É Outro”, repetindo o sucesso estrondoso da primeira versão, de 2007.
A partir de 2013, o talento de Wagner Moura rompeu fronteiras, e ele alçou uma notável carreira internacional. Mais recentemente, em 2021, Moura mostrou sua versatilidade ao dirigir e produzir “Marighella”, um filme que narra a história do guerrilheiro, político e escritor baiano Carlos Marighella, tristemente assassinado durante a ditadura militar em 1969.
Em 2025, o ator protagonizou “O Agente Secreto”, dirigido por Kleber Mendonça Filho. Ambientado no Recife durante a década de 1970, o filme teve sua estreia mundial no prestigiado Festival de Cannes, onde disputou a Palma de Ouro, marcando um momento importante para o cinema brasileiro no cenário global. Fátima Nunes fez questão de conectar o sucesso do filme ao “posicionamento político e social” de Wagner Moura, reiterando a relevância de sua voz.
O reconhecimento internacional de Wagner Moura continua crescendo. Atualmente, ele é apontado como um forte concorrente para a estatueta de Melhor Ator no Oscar 2026. Com um Globo de Ouro já conquistado na categoria de melhor ator de drama, o jornal americano The New York Times o destacou como um dos favoritos. As indicações para o maior prêmio do cinema americano serão reveladas no dia 22 de janeiro, e a grande cerimônia de premiação está marcada para 15 de março.
A proposta de homenagem na AL-BA, portanto, vai além da celebração de um artista. Ela busca celebrar uma figura pública que utiliza sua plataforma para defender valores democráticos e questionar o autoritarismo, conforme explicitado pela deputada Fátima Nunes.







