O calendário eleitoral de Sergipe ainda nem chegou às convenções partidárias — marcadas entre 20 de junho e 5 de agosto —, mas o cardápio de promessas já está servido. Governador, postulantes ao Palácio do Governo e aspirantes ao Senado disputam quem oferece mais mundos e fundos a um eleitorado que conhece bem esse ritual.
Fábio Mitidieri (PSD), de 48 anos, foi eleito governador em 2022 e deve tentar um segundo mandato. Na pré-campanha, o governador tem sinalizado que pretende entregar obras que não saíram do papel no primeiro mandato, entre elas a tão aguardada ponte entre Aracaju e Barra dos Coqueiros. O problema é que a ponte e as ciclovias só devem ser concluídas em 2027 — portanto, bem depois das urnas de outubro.
No campo da oposição, o ex-prefeito de Itabaiana Valmir de Francisquinho (Republicanos) renunciou ao cargo para disputar o governo estadual e enfrentar Mitidieri. Valmir tem prometido, caso eleito, romper o contrato de concessão dos serviços de água e esgoto entregues à iniciativa privada — uma bandeira que mobiliza eleitores insatisfeitos com o serviço atual, mas cujos detalhes jurídicos e financeiros permanecem sem explicação pública. Ele surge como o nome mais competitivo fora da base governista, especialmente pelo desempenho nas eleições de 2022, quando obteve 457.922 votos no primeiro turno, apesar de ter tido a candidatura barrada pela Justiça Eleitoral.
No Sergipe, já existem cinco pré-candidatos ao governo e seis ao Senado. As eleições estaduais ocorrerão em 4 de outubro, com objetivo de eleger governador, vice-governador, dois senadores, oito deputados federais e vinte e quatro deputados estaduais. Na disputa senatorial, estão em jogo as cadeiras de Alessandro Vieira (MDB) e Rogério Carvalho (PT).
Na corrida ao Senado, dois candidatos integram a chapa governista: Alessandro Vieira, pré-candidato à reeleição, e André Moura (União Brasil), confirmados como nomes de apoio ao governador Mitidieri. Pelo lado da oposição, o ex-senador Eduardo Amorim (Republicanos) e o ex-prefeito de Aracaju Edvaldo Nogueira (PDT) também figuram como pré-candidatos competitivos. Todos prometem trazer recursos federais volumosos e projetos capazes de alavancar a economia sergipana — sem detalhar de onde virão esses recursos nem como serão viabilizados.
O cenário das pesquisas ainda não aponta um desfecho claro. Para 42% dos entrevistados, o governo de Mitidieri é "ótimo" ou "bom"; 33% avaliam como "regular"; e 24% dizem que é "ruim" ou "péssimo". A disputa pelas duas cadeiras no Senado também está apertada, com pelo menos sete candidatos se mostrando competitivos, segundo levantamento recente.
O padrão se repete eleição após eleição. Antes de Mitidieri, ex-governadores como João Alves Filho e Jackson Barreto também prometeram instalar refinarias de petróleo em Sergipe — e tudo ficou só nas promessas. A diferença de 2026 para anos anteriores parece ser, por ora, apenas o volume de candidatos e a velocidade com que os discursos chegam às redes sociais.
O eleitor sergipano terá meses pela frente para ouvir propostas e filtrar o que é projeto concreto do que é palanque vazio. Os nomes serão oficializados nas convenções partidárias, entre 20 de junho e 5 de agosto, conforme calendário do TSE — mas partidos e pré-candidatos já podem divulgar propostas desde agora. A pergunta que a população costuma fazer depois das urnas — "e as promessas?" — começa a ser formulada, desta vez, antes mesmo da campanha começar pra valer.







