Estudo recente do Instituto Trata Brasil (ITB), em parceria com a GO Associados, aponta que o Brasil desperdiça aproximadamente 6.346 piscinas olímpicas de água tratada diariamente antes que ela chegue às torneiras dos consumidores. Os dados, extraídos do Sistema Nacional de Informações em Saneamento (SINISA), revelam que, em um ano, o país perdeu 5,8 bilhões de metros cúbicos de água tratada, volume suficiente para abastecer cerca de 50 milhões de pessoas.
As perdas de água representam 40,31% de toda a produção nacional, um índice substancialmente acima da meta de 25% estabelecida pela Portaria 490/2021, do Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional. As regiões Norte e Nordeste do Brasil apresentam os piores índices, com 49,78% e 46,25% de perda, respectivamente. Estados como Alagoas, Roraima e Acre chegam a desperdiçar mais da metade da água que recebem, enquanto Goiás, o Distrito Federal e São Paulo mostram os melhores indicadores, com taxas de perdas inferiores a 33%.
O desperdício é atribuído principalmente a vazamentos, erros de medição e consumos não autorizados. O ITB destaca que as perdas físicas, em grande parte causadas por falhas na infraestrutura, respondem por mais de 3 bilhões de metros cúbicos por ano. Esse volume de água perdido poderia garantir o fornecimento para 17,2 milhões de pessoas em comunidades vulneráveis por quase dois anos. Além do impacto social, o desperdício gera custos adicionais altos para o sistema, incluindo maior gasto com produtos químicos, energia e manutenção.
Luana Pretto, presidente-executiva do Trata Brasil, ressaltou a importância de abordar essa questão: 'Ainda vemos um progresso tímido nos índices de redução de perdas de água, enquanto milhões de brasileiros continuam sem acesso regular e de qualidade à água potável, fundamental para uma vida digna'. O estudo também sublinha a necessidade de modernização da infraestrutura, especialmente em um contexto de mudanças climáticas que exacerbaram a escassez hídrica.
Os autores do levantamento apontam que, se o Brasil conseguisse atingir a meta de 25% de perda, o país economizaria 1,9 bilhão de metros cúbicos de água por ano, o que corresponde ao consumo anual de 31 milhões de pessoas. O potencial econômico com essa redução poderia chegar a R$ 17 bilhões até 2033, reforçando a necessidade de políticas públicas que apoiem a redução do desperdício e melhorem o acesso à água potável.







