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Política

Deputada baiana classifica Eduardo Bolsonaro como "agente dos EUA" após condenação no STF

Lídice da Mata (PSB-BA) disse que o julgamento foi "justo" e que o ex-parlamentar traiu o Brasil ao articular sanções americanas para proteger o pai

Redação ChicoSabeTudo
17 de junho, 2026 · 12:02 3 min de leitura

A deputada federal Lídice da Mata (PSB-BA) reagiu com dureza à condenação de Eduardo Bolsonaro pelo Supremo Tribunal Federal (STF), ocorrida na terça-feira, 16. Para ela, a decisão da Corte foi justa e o comportamento do ex-parlamentar revela quem ele realmente é: alguém que defende interesses estrangeiros em detrimento do próprio país.

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"Isso demonstra o que ele é: um agente do governo dos Estados Unidos, e não um político que defende o seu país. Acho que o julgamento foi justo", declarou Lídice, em coletiva de imprensa realizada em Salvador nesta quarta-feira, 17.

A declaração veio em resposta à postura de Eduardo Bolsonaro após a condenação. O ex-deputado afirmou que levaria a decisão da Corte brasileira para análise da Casa Branca — o que, segundo Lídice, apenas reforça o alinhamento dele com o governo de Donald Trump.

A parlamentar baiana apontou que o objetivo principal de Eduardo era usar a pressão externa como instrumento para barrar o processo do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que foi condenado pelo STF por tentativa de golpe de Estado. "Ele queria punir o nosso país para chantagear e impedir a condenação do pai dele. A ninguém é dado o direito de impedir a realização da Justiça e, por outro lado, sabotar os interesses da pátria", disse a deputada.

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A crítica de Lídice tem histórico recente. Em julho do ano passado, a parlamentar já havia defendido publicamente a cassação de Eduardo e afirmado que ele usava "linguagem de bandido" ao defender punições dos EUA ao Brasil para coagir a Justiça. Na ocasião, ela apontou que a postura do então deputado representava um "conluio" com o pai para atacar as instituições brasileiras.

A condenação foi decidida por unanimidade pela Primeira Turma do STF. Os ministros condenaram Eduardo Bolsonaro a quatro anos e dois meses de reclusão, em regime inicial semiaberto, pelo crime de coação no curso do processo. Ficou comprovado, segundo o colegiado, que ele atuou para interferir no julgamento da ação penal em que seu pai foi condenado por tentativa de golpe de Estado.

Eduardo foi condenado por tentar influenciar o governo dos Estados Unidos a adotar sanções e tarifas contra o Brasil e contra autoridades do Judiciário, com o objetivo de frear o julgamento de Jair Bolsonaro no STF. O STF também decretou a perda do cargo de Eduardo como escrivão da Polícia Federal e declarou sua inelegibilidade nos termos da Lei da Ficha Limpa, por oito anos, contados a partir do término do cumprimento da pena.

O relator do caso, ministro Alexandre de Moraes, foi enfático ao rebater qualquer argumento de imunidade parlamentar. "Não é função de deputado federal brasileiro fazer lobby no exterior contra o próprio país. Isso não consta, desde a Constituição do Império até a atual, como função de deputado federal", afirmou.

Como Eduardo Bolsonaro reside no Texas desde 2025, a execução imediata da pena dependerá de processo de extradição. Além da questão da condenação, Lídice também comentou, durante a coletiva em Salvador, o convite do senador Jaques Wagner (PT) para que ela ocupe a primeira suplência em sua chapa de reeleição ao Senado. A deputada disse que o convite "muito a honra" e que não pode deixar de analisar a proposta.

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