A Bahia assumiu a dianteira nacional entre os estados com maior número de municípios e valores mais altos em cobranças unitárias de preservação turística. O empurrão final veio com a sanção da taxa ambiental de R$ 200 pela Prefeitura de Ituberá, município do Baixo Sul Baiano, que fez o estado superar São Paulo nesse ranking.
A cobrança, chamada de TUPI (Tarifa por Uso do Patrimônio de Ituberá), foi instituída pela Lei Municipal nº 1.898/2025 e estabelece o valor de R$ 200 para turistas e não residentes que visitam a Praia de Pratigi. A arrecadação é destinada a melhorias ambientais, culturais e estruturais do município.
O estado conta com ao menos cinco destinos que aplicam tarifas para visitantes. Enquanto os valores baianos são cobrados por pessoa — cobrindo todo o período de visita —, destinos paulistas como Ubatuba e Ilhabela adotam a modalidade veicular, com valores inferiores a R$ 50 na maioria dos casos. Já no arquipélago de Fernando de Noronha, em Pernambuco, a cobrança é diária e progressiva.
Outro peso-pesado baiano nesse cenário é Cairu. Turistas que visitam Morro de São Paulo, um dos destinos mais procurados da Bahia e do país, pagam R$ 70 para acessar o arquipélago — valor correspondente à TUPA (Tarifa por Uso do Patrimônio do Arquipélago), que subiu de R$ 50 para R$ 70 após aprovação da Câmara Municipal. Segundo a prefeitura, somente em 2024, as despesas diretamente ligadas ao turismo ultrapassaram R$ 17 milhões, enquanto a arrecadação da TUPA representou menos da metade desse valor, gerando déficit superior a R$ 5,9 milhões.
As medidas, porém, não passaram sem resistência. Morro de São Paulo registrou movimento muito aquém do esperado pelos comerciantes no feriado de Dia do Trabalhador, com moradores criticando abertamente a queda no fluxo. Dois meses depois, a Prefeitura de Cairu anunciou a suspensão, por tempo indeterminado, do reajuste da TUPA de R$ 70 para R$ 90, alegando que a mudança depende da conclusão de obras de readequação no distrito, ainda sem previsão de entrega. Segundo informações divulgadas pelo Bahia Notícias, a implantação da taxa em Boipeba — que seria de R$ 50 — também foi adiada pelos mesmos motivos.
Porto Seguro seguiu caminho semelhante. A decisão de criar uma taxa de acesso para veículos visitantes gerou reações diversas entre moradores e representantes do setor turístico: parte da população via a medida como necessária para conter o excesso de veículos, enquanto empresários demonstraram preocupação com o impacto sobre a chegada de visitantes. A gestão municipal optou por suspender a cobrança em junho deste ano, antes mesmo de ela entrar em vigor. Segundo informações do Bahia Notícias, a taxa deverá ser implementada apenas em agosto.
Em períodos de alta estação, o município de Cairu chega a processar cerca de 25 toneladas de resíduos sólidos por dia apenas em Morro de São Paulo — dado que ilustra a pressão que o turismo de massa impõe sobre destinos de ecossistemas sensíveis. A Secretaria de Turismo da Bahia (Setur), segundo nota divulgada ao Bahia Notícias, afirmou acompanhar de perto a situação dos municípios, mas reforçou que a decisão de aplicar ou não a taxa é de competência exclusiva de cada gestão local.







