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Política

Com R$ 200 cobrados em Ituberá, Bahia ultrapassa São Paulo e lidera ranking nacional de taxas de preservação por visita

Municípios do Litoral Sul baiano praticam as tarifas unitárias mais altas do país para turistas, mas resistência popular já levou prefeituras a suspenderem reajustes e cobranças.

Redação ChicoSabeTudo
28 de julho, 2026 · 06:14 3 min de leitura
Vista aérea da Praia de Morro de São Paulo, no arquipélago de Cairu, Bahia
Vista aérea da Praia de Morro de São Paulo, no arquipélago de Cairu, Bahia

A Bahia assumiu a dianteira nacional entre os estados com maior número de municípios e valores mais altos em cobranças unitárias de preservação turística. O empurrão final veio com a sanção da taxa ambiental de R$ 200 pela Prefeitura de Ituberá, município do Baixo Sul Baiano, que fez o estado superar São Paulo nesse ranking.

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A cobrança, chamada de TUPI (Tarifa por Uso do Patrimônio de Ituberá), foi instituída pela Lei Municipal nº 1.898/2025 e estabelece o valor de R$ 200 para turistas e não residentes que visitam a Praia de Pratigi. A arrecadação é destinada a melhorias ambientais, culturais e estruturais do município.

O estado conta com ao menos cinco destinos que aplicam tarifas para visitantes. Enquanto os valores baianos são cobrados por pessoa — cobrindo todo o período de visita —, destinos paulistas como Ubatuba e Ilhabela adotam a modalidade veicular, com valores inferiores a R$ 50 na maioria dos casos. Já no arquipélago de Fernando de Noronha, em Pernambuco, a cobrança é diária e progressiva.

Outro peso-pesado baiano nesse cenário é Cairu. Turistas que visitam Morro de São Paulo, um dos destinos mais procurados da Bahia e do país, pagam R$ 70 para acessar o arquipélago — valor correspondente à TUPA (Tarifa por Uso do Patrimônio do Arquipélago), que subiu de R$ 50 para R$ 70 após aprovação da Câmara Municipal. Segundo a prefeitura, somente em 2024, as despesas diretamente ligadas ao turismo ultrapassaram R$ 17 milhões, enquanto a arrecadação da TUPA representou menos da metade desse valor, gerando déficit superior a R$ 5,9 milhões.

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As medidas, porém, não passaram sem resistência. Morro de São Paulo registrou movimento muito aquém do esperado pelos comerciantes no feriado de Dia do Trabalhador, com moradores criticando abertamente a queda no fluxo. Dois meses depois, a Prefeitura de Cairu anunciou a suspensão, por tempo indeterminado, do reajuste da TUPA de R$ 70 para R$ 90, alegando que a mudança depende da conclusão de obras de readequação no distrito, ainda sem previsão de entrega. Segundo informações divulgadas pelo Bahia Notícias, a implantação da taxa em Boipeba — que seria de R$ 50 — também foi adiada pelos mesmos motivos.

Porto Seguro seguiu caminho semelhante. A decisão de criar uma taxa de acesso para veículos visitantes gerou reações diversas entre moradores e representantes do setor turístico: parte da população via a medida como necessária para conter o excesso de veículos, enquanto empresários demonstraram preocupação com o impacto sobre a chegada de visitantes. A gestão municipal optou por suspender a cobrança em junho deste ano, antes mesmo de ela entrar em vigor. Segundo informações do Bahia Notícias, a taxa deverá ser implementada apenas em agosto.

Em períodos de alta estação, o município de Cairu chega a processar cerca de 25 toneladas de resíduos sólidos por dia apenas em Morro de São Paulo — dado que ilustra a pressão que o turismo de massa impõe sobre destinos de ecossistemas sensíveis. A Secretaria de Turismo da Bahia (Setur), segundo nota divulgada ao Bahia Notícias, afirmou acompanhar de perto a situação dos municípios, mas reforçou que a decisão de aplicar ou não a taxa é de competência exclusiva de cada gestão local.

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