O Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA), em Salvador, informou ter recebido um relato de incidente de segurança no BRBJUS, sistema de propriedade do Banco de Brasília (BRB) usado na gestão de depósitos judiciais. O comunicado foi datado de 19 de setembro de 2026 e publicado no site do tribunal em 21 de setembro.
Depósito judicial é um valor guardado em conta vinculada a um processo. O dinheiro pertence às partes da ação, fica sob custódia do tribunal e é administrado por um banco contratado, conforme informações reunidas sobre o serviço.
O presidente do BRB, Nelson Sousa, reconheceu comportamento atípico no sistema após o banco ser notificado formalmente. Segundo o comunicado do TJ-BA, o BRB ainda analisava a causa raiz, a cronologia técnica, os horários do evento e os mecanismos de acesso.
Em declaração reproduzida pelo tribunal, Sousa afirmou: “para a consolidação final do diagnóstico, faz-se necessária a conclusão das análises referentes à causa raiz definitiva, cronologia técnica detalhada, validação dos horários do evento, bem como aos mecanismos de acesso e correlação de evidências”.
O TJ-BA informou que o incidente ocorreu integralmente em ambiente tecnológico externo, sob propriedade e administração exclusiva do BRB. As credenciais dos usuários envolvidos nos acessos eram geridas pelo banco. O tribunal disse não ter identificado incidente de segurança em seus próprios sistemas e afirmou que a infraestrutura permanecia íntegra e operando normalmente.
O BRB previa restabelecer integralmente o ambiente até 21 de setembro, depois de implantações sistêmicas, testes funcionais e de segurança e adoção de controles adicionais. O comunicado consultado não confirma se a normalização foi concluída.
O TJ-BA acionou a Procuradoria-Geral do Estado da Bahia (PGE-BA) e informou que adotaria as medidas administrativas e judiciais cabíveis.
Em 26 de agosto de 2026, o tribunal havia informado que o contrato de administração dos depósitos judiciais com o BRB tinha vigência prevista até 27 de agosto, após cinco anos, e que negociava a transferência da gestão para a Caixa Econômica Federal. Segundo o TJ-BA e o Vero Notícias, uma decisão liminar do ministro Luiz Fux determinou a manutenção dos serviços do BRB por mais 90 dias.
Reportagem do Bahia Notícias, apurada com autoridades do Judiciário, associou o caso a um possível desvio de R$ 43 milhões. O comunicado oficial consultado confirma o incidente e o comportamento atípico, mas não informa esse valor nem confirma expressamente o desvio. Também não fixa a data de início do problema.







