Autoridades dos Estados Unidos chamaram a atenção do mundo nesta quarta-feira (4) ao mencionar o uso de “bombas gravitacionais de precisão” em possíveis novos ataques contra o Irã. O tema surgiu em uma fala do secretário de Defesa, Pete Hegseth, enquanto ele detalhava o arsenal disponível para operações na região, caso a tensão militar continue a aumentar.
A menção ao termo, contudo, pode gerar muitas dúvidas. Afinal, uma bomba gravitacional é nuclear? A resposta direta é: não necessariamente. A expressão se refere ao jeito que a bomba é solta e guiada, e não ao tipo de material explosivo que ela carrega.
Como funciona uma bomba gravitacional?
Imagine uma bomba que um avião solta lá do alto. Ela não tem um motor para se mover sozinha depois de ser lançada, como um míssil. Em vez disso, ela conta com a gravidade e a velocidade do avião para seguir seu caminho até o alvo. Esse é o conceito de uma bomba gravitacional.
Esse foi um dos primeiros tipos de bombardeio aéreo da história e, apesar de antigo, ainda é muito usado. Com o tempo, as bombas gravitacionais ficaram mais avançadas. Hoje, muitas recebem kits especiais que as transformam em “bombas inteligentes” ou “guiadas”. Esses kits usam tecnologias como laser ou GPS para corrigir a trajetória da bomba enquanto ela cai, garantindo que o impacto seja muito mais preciso.
Nem toda bomba gravitacional é atômica
Existe uma confusão comum que liga as bombas gravitacionais diretamente às armas nucleares. Essa ideia vem de ataques históricos, como os das bombas Little Boy e Fat Man, lançadas sobre Hiroshima e Nagasaki na Segunda Guerra Mundial. Elas eram, de fato, bombas gravitacionais, porque foram soltas por aviões e caíram até os alvos.
Isso não significa que todas as bombas gravitacionais carreguem ogivas nucleares. Pelo contrário, a grande maioria das bombas desse tipo usadas hoje tem explosivos convencionais. Elas são desenhadas para atingir alvos muito específicos no campo de batalha.
Entre os alvos mais comuns para essas bombas estão:
- Depósitos de armas;
- Veículos militares;
- Centros de comando e controle;
- Bunkers e outras estruturas subterrâneas.
Alguns modelos são feitos para perfurar o solo antes de explodir, usando um mecanismo de detonação com atraso, perfeito para destruir instalações fortificadas.
A GBU-57 MOP não é nuclear
Um bom exemplo dessa tecnologia é a GBU-57 Massive Ordnance Penetrator, conhecida como MOP. Essa bomba foi citada no contexto das tensões com o Irã e, apesar de ser frequentemente associada a ataques contra instalações nucleares, ela não é uma bomba atômica.
A MOP é uma bomba convencional gigantesca, que pesa cerca de 14 toneladas e tem aproximadamente seis metros de comprimento. Ela foi projetada para destruir estruturas subterrâneas superprotegidas. Após ser lançada, ganha velocidade na queda e pode penetrar dezenas de metros no solo antes de explodir, alcançando bunkers e instalações enterradas. É considerada uma das poucas opções para atingir complexos subterrâneos profundos, como aqueles construídos em áreas montanhosas.
Quando são usadas as bombas gravitacionais?
Para usar esse tipo de arma, um fator crucial é o controle do espaço aéreo. Como a bomba precisa ser solta por um avião que voa relativamente perto do alvo, as forças que fazem o ataque precisam ter superioridade aérea.
Isso quer dizer que os aviões devem conseguir operar sobre o território inimigo com baixo risco de serem derrubados por defesas antiaéreas ou mísseis. Por isso, as bombas gravitacionais de precisão são geralmente usadas em situações onde a força atacante já conseguiu neutralizar as defesas aéreas do adversário. Nessas condições, elas são empregadas para atingir alvos específicos com alta precisão, sem a necessidade de grandes e extensos bombardeios.







