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Política

BEPE aponta atuação de facções em torcidas após mortes no Ba-Vi

Comandante do batalhão fala sobre violência ligada ao clássico e cita uso de camisas de torcida por integrantes de facções

Redação ChicoSabeTudo
16 de setembro, 2026 · 19:56 3 min de leitura

O comandante do Batalhão Especializado em Policiamento de Eventos (BEPE), Flávio Farias, comentou os episódios de violência registrados antes e depois do último Ba-Vi durante participação no programa Bahia Notícias no Ar, em 16 de setembro. O clássico, válido pela 24ª rodada do Campeonato Brasileiro, foi disputado em 23 de agosto no Barradão, em Salvador, com vitória do Bahia por 2 a 0 sobre o Vitória.

Segundo Farias, a rivalidade entre torcedores e a presença de pessoas ligadas ao tráfico de drogas contribuem para casos de violência associados ao futebol. Dois torcedores ligados à torcida Bamor morreram em episódios ocorridos fora do estádio durante o último Ba-Vi.

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José Alexandre Souza Borges, de 28 anos, foi perseguido e morto na Via Regional. De acordo com informações repassadas pela Polícia Militar da Bahia, integrantes da torcida uniformizada Os Imbatíveis teriam participado da ação contra a vítima. Lucas dos Reis Bonfim, de 19 anos, morreu baleado no bairro de Castelo Branco; familiares relataram que ele teria sido atingido enquanto fugia de um ataque atribuído a integrantes de torcida organizada. Os dois casos são investigados pela Polícia Civil da Bahia.

Farias afirmou que o BEPE identificou preocupação com a presença de integrantes ligados a facções criminosas no ambiente das torcidas organizadas. Segundo ele, esses indivíduos nem sempre estão formalmente cadastrados nas torcidas, mas usam as camisas para facilitar a participação em confrontos. “Existem variantes em relação a isso, mas detectamos que têm entrado integrantes de facções, não diretamente cadastrados nas torcidas organizadas, mas fazendo uso das camisas pela facilidade de compra que existe”, disse.

O comandante disse que os casos mais graves costumam acontecer em bairros e vias de acesso mais distantes dos estádios, e que o policiamento dentro e no entorno das partidas tem apresentado resultados positivos. “Eu sempre digo que vamos muito bem no entorno do estádio e, no interior, não temos tido ocorrências de grande vulto”, afirmou.

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Além das duas mortes, o clássico também foi marcado por atos de vandalismo contra ônibus do transporte coletivo. A Secretaria Municipal de Mobilidade registrou três ocorrências nos bairros de Pernambués, Pirajá e Plataforma. Em um dos casos, um motorista ficou ferido depois que um rojão atingiu o para-brisa do veículo. Vídeos divulgados nas redes sociais mostraram confrontos entre supostos integrantes das duas torcidas organizadas, com grupos correndo pelas ruas em meio a explosões.

Com 55 anos de idade e 34 de corporação, Farias disse já ter presenciado uma época em que torcedores rivais frequentavam juntos os estádios. “Eu tenho 55 anos e 34 na corporação, e vivi aquele tempo de duas torcidas no estádio. Nós íamos juntos, confraternizando, e era um clima de paz e tranquilidade”, declarou.

O comandante também comparou o policiamento do Carnaval ao das partidas de futebol, destacando que os dois eventos envolvem comportamentos distintos do público. “Quem vai aos estádios vivencia uma emoção de rivalidade e, com a utilização de alguns produtos, lícitos ou ilícitos, essa emoção pode levar a situações de agressão”, afirmou.

O Ministério Público da Bahia recomenda que os Ba-Vis sejam realizados com torcida única, medida adotada em abril de 2017. A recomendação foi suspensa em fevereiro de 2018, quando os clássicos voltaram a reunir torcedores dos dois clubes. Após uma confusão generalizada em um confronto conhecido como Ba-Vi da Paz, o Ministério Público voltou a recomendar a presença de apenas uma torcida nos jogos entre Bahia e Vitória.

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