Daniel Vorcaro, ex-banqueiro do Banco Master, afirmou em uma proposta de delação que um grupo ligado ao senador Jaques Wagner recebia cerca de R$ 3 milhões por mês em supostas vantagens indevidas. O relato trata da operação do Credcesta, cartão destinado a servidores públicos na Bahia.
Vorcaro disse não ter presenciado o suposto acordo. Segundo ele, a informação foi repassada por seu então sócio, Augusto Lima. As defesas de Wagner e Lima negaram as acusações e destacaram que não há provas para sustentar o relato.
A Polícia Federal recusou a proposta por falta de elementos de corroboração. Em junho, a Procuradoria-Geral da República também rejeitou o acordo. A defesa de Vorcaro repudiou a divulgação dos anexos e afirmou não reconhecer a autenticidade e a integridade do material.
Na versão apresentada pelo ex-banqueiro, cerca de R$ 2 milhões por mês seriam enviados pelo Banco Master à PKL One em contratos classificados como despesas operacionais. Ele afirma que os documentos eram fictícios. Outro R$ 1 milhão seria pago em espécie. A PKL One detém os direitos de exploração do Credcesta.
O relato relaciona o caso à privatização da Empresa Baiana de Alimentos (Ebal), estatal que controlava o cartão. Segundo a proposta, a NGV Empreendimentos arrematou a empresa por R$ 15 milhões, com Ignácio Morales como titular formal. Vorcaro afirma que Augusto Lima era o proprietário de fato da NGV.
Há divergência sobre esse ponto. Relatório da CPI do Crime Organizado no Senado atribui a aquisição diretamente a Lima, descrito como único licitante, sem mencionar a NGV ou Morales. Na época do leilão, Wagner era secretário de Desenvolvimento Econômico da Bahia, durante o segundo mandato de Rui Costa. O documento cita Costa, mas não atribui a ele os pagamentos mensais descritos.
Vorcaro também apontou Guilherme Henrique Sodré Martins, conhecido como Guiga, como suposto operador ligado a Wagner. Documentos obtidos pela CPI indicam que Sodré tinha 22,45% do fundo Gardênia até dezembro de 2018. O fundo possuía participação indireta na PKL One. Os documentos confirmam sua presença na estrutura, mas não provam que ele agia em nome de Wagner.
O valor mensal citado por Vorcaro não foi confirmado por outras fontes consultadas. Há também divergências sobre a cronologia: a proposta menciona 2018, enquanto relatório da CPI situa o entendimento entre Lima e Vorcaro em 2019. Uma reportagem da Folha indica que Lima se tornou sócio do Banco Master em maio de 2020. Em fevereiro, Wagner disse ao Senado que o Credcesta era um benefício para funcionários públicos e que a venda da Cesta do Povo ocorreu após dois leilões sem interessados.







