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Política

Bahia amplia influência no Planalto e gera alerta na segurança pública

A nomeação de Wellington Cesar para a Segurança Pública mostra o crescente poder da 'República do Dendê' no governo, levantando preocupações sobre resultados na área.

Redação ChicoSabeTudoRedação · Política
14 de janeiro, 2026 · 10:40 3 min de leitura
Foto: Ricardo Stuckert / PR
Foto: Ricardo Stuckert / PR

A recente nomeação de Wellington Cesar Lima e Silva para a importante pasta da Justiça e Segurança Pública no governo federal trouxe à tona um debate crucial: o crescente poder da chamada 'República do Dendê' no Palácio do Planalto. Essa ascensão, vista por alguns como 'oxigênio' ou 'sintonia' para o governo, levanta preocupações significativas sobre os rumos da segurança pública no Brasil, especialmente ao analisar o histórico recente da Bahia nesta área.

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A chegada de Wellington Cesar não aconteceu por acaso. A saída do ex-ministro Ricardo Lewandowski do cargo vinha acompanhada de rumores não desmentidos de embates com o ministro da Casa Civil, Rui Costa. Rui, que sempre quis ter mais controle sobre a segurança pública e contava com o apoio de Sidônio Palmeira na comunicação, viu a oportunidade perfeita. Não só o problema da saída de Lewandowski foi resolvido, como também trouxe um bônus: a nomeação de um aliado próximo e de longa data.

Wellington Cesar não é um nome novo na política baiana. Ele foi procurador-geral do Ministério Público da Bahia (MP-BA) e, em outro momento, ganhou o apelido de 'o Breve'. Isso aconteceu porque, anos atrás, ele foi nomeado e exonerado rapidamente de um cargo ministerial ao tentar acumular funções, gerando um episódio marcante. Desde então, seu nome sempre aparecia como um possível ministro quando Rui Costa tentava influenciar as escolhas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Dessa vez, com a ajuda do líder do governo no Congresso, Jaques Wagner, a 'República do Dendê' conseguiu o que queria, colocando Wellington em uma das áreas mais sensíveis de qualquer governo.

Apesar da clara ampliação da influência dos políticos da Bahia no governo federal, a grande questão que fica é se essa é a solução ideal para a segurança pública, uma área vital e que, inclusive, serve como plataforma eleitoral. A resposta para essa pergunta é arriscada, especialmente quando olhamos para a experiência da Bahia no combate à violência, um tema que gera apreensão para os cidadãos. Durante o tempo em que comandou o MP-BA, no segundo mandato de Jaques Wagner, Wellington Cesar esteve envolvido na criação do 'Pacto Pela Vida', uma iniciativa inspirada em Pernambuco que reunia instituições de justiça, do Executivo e da sociedade civil.

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No entanto, de lá para cá, o cenário da violência na Bahia não melhorou. Pelo contrário, muitos diriam que piorou. Os números de homicídios e outros crimes cresceram e, o que antes era um problema concentrado nas grandes cidades, se espalhou e virou um dos principais temas de campanha da oposição. Até mesmo as tentativas de freio, como as do atual secretário de Segurança Pública, Marcelo Werner, ainda não mostraram resultados visíveis para a população. Mesmo com esse histórico desafiador, o grupo político da Bahia decidiu unir forças para colocar o estado em destaque nessa área no âmbito federal.

Não se trata de torcer contra, mas de observar com cautela os desdobramentos dessa estratégia. Por mais que Wellington Cesar tenha um currículo próximo ao grupo político do PT na Bahia, liderado por Wagner e Rui, colocá-lo nesse posto para aumentar a presença baiana na segurança pública é um risco considerável. Principalmente quando se considera que essa movimentação ocorre em paralelo à discussão sobre uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que, segundo líderes do governo na Câmara, 'subiu no telhado', ou seja, foi engavetada. Olhando para os resultados do enfrentamento à violência na Bahia nos últimos 15 anos, o governo de Lula pode ter ganhado mais um motivo para se preocupar com a segurança pública nacional, talvez por um capricho de alguns aliados estratégicos.

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