O pedido para que ACM Neto seja ouvido pela CPMI do INSS elevou a pressão política sobre o ex-prefeito de Salvador após a divulgação de um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) que aponta pagamentos milionários à empresa dele. A iniciativa foi apresentada pelo deputado federal Ribeiro Neto (PRD-MA), em meio ao avanço das discussões sobre personagens citados no caso Banco Master.
A movimentação ganhou força depois que reportagens publicadas nos últimos dias informaram que a A&M Consultoria LTDA, ligada a ACM Neto, recebeu R$ 3,6 milhões do Banco Master e da gestora Reag Investimentos. Segundo a apuração confirmada por diferentes veículos, os repasses ocorreram entre 2023 e 2024 e passaram a ser usados por parlamentares como argumento para defender novos depoimentos e medidas de quebra de sigilo no Congresso.
Nos registros da CPMI, o nome de ACM Neto já apareceu no debate entre os parlamentares. Em notas taquigráficas da reunião realizada em 12 de março de 2026, o deputado Rogério Correia mencionou, em plenário, que havia requerimento do deputado Ribeiro Neto para convocar o ex-prefeito e pedir a análise de informações da empresa citada no relatório financeiro.
A defesa de ACM Neto sustenta que não houve irregularidade. Em manifestação pública nas redes sociais e em declarações reproduzidas pela imprensa, ele afirmou que criou a A&M Consultoria no fim de 2022, quando já estava fora de cargo público, e que prestou serviços formais de consultoria político-econômica a clientes privados, com contratos e recolhimento de impostos. Também declarou estar à disposição das autoridades para prestar esclarecimentos.
O ex-prefeito ainda informou que acionaria o Supremo Tribunal Federal e a Procuradoria-Geral da República para pedir apuração sobre o que classificou como vazamento de dados sigilosos. Esse posicionamento foi divulgado pelo próprio ACM Neto em vídeo nas redes sociais e repetido em entrevistas e reportagens publicadas após a revelação do relatório.
O episódio se soma ao ambiente de forte desgaste em torno de Daniel Vorcaro e do Banco Master. Nas últimas semanas, o banqueiro foi alvo de novas decisões judiciais, e o Supremo manteve sua prisão em um processo que apura suspeitas de corrupção e fraudes financeiras. A crise também ampliou a pressão política sobre pessoas e empresas que mantiveram relações com o grupo investigado.
Além da repercussão nacional, o caso passou a ter reflexos diretos no tabuleiro político baiano e no União Brasil. Reportagens publicadas em Brasília indicam que o episódio entrou no radar de parlamentares e dirigentes partidários, principalmente pelo impacto potencial sobre nomes ligados à disputa eleitoral de 2026.
Até o momento, o que se sabe é que o relatório do Coaf aponta repasses de R$ 3,6 milhões à empresa de ACM Neto, o ex-prefeito afirma que os valores correspondem a serviços de consultoria prestados de forma regular, e o nome dele já foi citado em pedido de convocação no âmbito da CPMI do INSS, conforme registros públicos da comissão.







