Um homem identificado como suboficial da reserva foi levado à delegacia após ser gravado por câmeras de segurança agredindo o próprio filho, um jovem cadeirante de 25 anos, dentro de um condomínio no bairro do Bessa, em João Pessoa, na Paraíba. As agressões ocorreram na madrugada de quarta-feira (29) e foram registradas por câmeras de segurança.
O vídeo mostra o momento em que o pai desfere socos contra o filho, que está em uma cadeira de rodas e não consegue reagir às agressões. As imagens passaram a circular nas redes sociais, provocando indignação entre internautas.
A vítima ficou dependente de cadeira de rodas após sofrer um grave acidente de motocicleta em Parnaíba, no litoral do Piauí, tendo sofrido uma lesão na vértebra. Nos últimos meses, a família havia mobilizado campanhas para tentar viabilizar um tratamento com polilaminina.
De acordo com informações da Rádio CBN João Pessoa, o pai se apresentou na Central de Polícia Civil, no bairro do Geisel, no período da tarde, após o vídeo das agressões circular nas redes sociais. O suboficial da reserva informou que não concederá entrevista por orientação jurídica e que está "abalado com toda a repercussão dos fatos".
O homem, identificado como Antonio Luis Alves de Sena, já havia sido denunciado à Marinha pelo próprio condomínio onde mora, com base em um dossiê que relata "comportamento inadequado, com risco à segurança coletiva (porte de arma de fogo)". Vizinhos afirmam que episódios de confusão, ameaças e intimidações eram frequentes no residencial, e que um dos síndicos chegou a renunciar ao cargo em razão dos conflitos envolvendo o morador.
Após ser ouvido, o suspeito foi liberado. O caso passa a ser investigado pela Polícia Civil para apurar os crimes de violência doméstica e maus-tratos praticados contra pessoa vulnerável. Segundo informações divulgadas pelo BNews, até o fechamento da apuração, a vítima não havia formalizado denúncia contra o pai e não havia registro de boletim de ocorrência sobre a agressão.
A violência contra pessoas com deficiência é enquadrada pela Lei Brasileira de Inclusão (Lei nº 13.146/2015), que assegura proteção integral à integridade física, mental e moral desse público, além de prever punições rigorosas para condutas que configurem abuso, negligência, maus-tratos ou tratamento degradante.
Dados de pesquisa publicada na revista Epidemiologia e Serviços de Saúde mostram a gravidade do problema no país: foram registrados 116.219 casos de violência contra pessoas com deficiência no Brasil entre 2011 e 2017, sendo que em 36,5% das notificações o provável agressor era um membro da própria família.
Quem tiver conhecimento de situações semelhantes pode acionar os canais oficiais de denúncia: o 190 (Polícia Militar), para situações de urgência e flagrante; o 181 (Disque Denúncia da Polícia Civil), para denúncias anônimas; e o 100 (Disque Direitos Humanos), canal nacional para violação de direitos de pessoas vulneráveis.







