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Polícia

Quatro casos de violência doméstica em dois dias deixam o Alto Sertão de Alagoas em alerta

Ocorrências mobilizaram a PM em Delmiro Gouveia, Canapi e Piranhas entre sábado e domingo, com prisões, ameaças de morte e descumprimento de medidas protetivas.

Redação ChicoSabeTudo
23 de julho, 2026 · 06:00 3 min de leitura
Viatura da Polícia Militar de Alagoas em frente a residência durante ocorrência de violência doméstica no Alto Sertão
Viatura da Polícia Militar de Alagoas em frente a residência durante ocorrência de violência doméstica no Alto Sertão

O fim de semana dos dias 18 e 19 de julho acendeu um sinal de alerta no Alto Sertão de Alagoas. Segundo informações divulgadas pelo portal IT Notícias, quatro ocorrências de violência doméstica e familiar foram registradas em apenas 48 horas nos municípios de Delmiro Gouveia, Canapi e Piranhas — todas envolvendo mulheres em situação de risco real e imediato.

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O padrão que chama atenção nos casos é a combinação entre reincidência e descumprimento de decisões judiciais. Em Delmiro Gouveia, no bairro Eldorado, um homem que já tinha medida protetiva de urgência vigente contra si perseguiu a ex-companheira próximo a um posto de combustíveis, proferindo ameaças de morte. A vítima precisou se refugiar em uma casa vizinha antes de acionar a Polícia Militar. O suspeito foi encontrado embriagado e resistiu à abordagem antes de ser conduzido à delegacia, preso em flagrante.

Ainda em Delmiro Gouveia, no bairro Pedra Velha, outra mulher foi forçada a abandonar a própria casa para escapar de um agressor, buscando abrigo em residência de terceiros. As ocorrências na cidade revelam um histórico de violência que não se limita a episódios isolados — o cenário em Delmiro Gouveia tem sido marcado por casos frequentes de violência contra a mulher.

Os episódios em Canapi e Piranhas, conforme a fonte original, também envolveram ameaças e situações de perigo iminente, mobilizando patrulhas da Polícia Militar na região. A rapidez na denúncia e no atendimento foi apontada como fator decisivo para evitar desfechos mais graves.

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O cenário local reflete uma realidade estadual preocupante. Dados divulgados pela Secretaria Nacional de Segurança Pública (Sinesp) apontaram oito feminicídios registrados em Alagoas apenas no primeiro trimestre de 2026, número que manteve o estado em alerta para o enfrentamento desse tipo de crime. Por outro lado, os casos de feminicídio caíram de 13, no primeiro semestre de 2025, para 10 no mesmo período de 2026 — redução de 23%, resultado que caminha lado a lado com o fortalecimento de programas de proteção e acolhimento.

Mesmo com a queda nos números letais, a violência doméstica segue presente em escala ampla. Alagoas registrou crescimento de 31% nos pedidos de Medida Protetiva de Urgência entre janeiro e junho de 2025, em comparação com o mesmo período do ano anterior. A Polícia Civil bateu recorde de prisões por violência doméstica no estado, com 1.400 prisões no primeiro semestre de 2025, contra 1.099 no ano anterior.

O descumprimento das medidas protetivas é um denominador comum nos casos do Alto Sertão. Desde a Lei 13.641/2018, descumprir decisão judicial que defere medidas protetivas de urgência configura crime específico, previsto no artigo 24-A da Lei Maria da Penha. Ainda assim, o desrespeito a essas ordens judiciais segue como um dos principais fatores de risco para as vítimas na região.

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Para especialistas em Direito das Mulheres, os crimes revelam um padrão de escalada da violência que, muitas vezes, poderia ser interrompido com uma atuação mais rápida e integrada dos órgãos responsáveis. Casos de violência doméstica podem ser denunciados pelo telefone 190 (emergências) ou pelo 180, a Central de Atendimento à Mulher, disponível 24 horas.

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