Dois homens morreram na tarde deste domingo (21) após uma ação da Polícia Militar em Brotas, bairro de Salvador. O caso aconteceu na localidade conhecida como Buraco da Gia e já desperta questionamentos sobre o que de fato ocorreu no local.
Segundo informações divulgadas pela Polícia Militar da Bahia, equipes da 26ª Companhia Independente da Polícia Militar (CIPM) foram até a área após receberem denúncias de indivíduos armados envolvidos com o tráfico de drogas. A companhia é a mesma responsável pelo policiamento da região de Brotas e já esteve envolvida em outras ações de alto impacto no bairro nos últimos meses.
Ainda de acordo com a versão policial, ao se aproximarem do local, as guarnições teriam sido recebidas com disparos de arma de fogo. Os agentes revidaram, e os suspeitos fugiram em direções diferentes. Durante as buscas, dois homens foram encontrados feridos e socorridos para atendimento médico, mas não resistiram e tiveram os óbitos confirmados.
Com os suspeitos, a PM informou ter apreendido duas pistolas, carregadores, drogas e dinheiro em espécie. As circunstâncias da morte dos dois homens deverão ser investigadas.
No entanto, a versão dos moradores da região é diferente. Segundo relatos de populares ouvidos após o ocorrido, não teria havido confronto no momento da ação policial. Eles negam que tenha ocorrido troca de tiros no local — contradição que coloca em xeque a narrativa oficial.
Esse tipo de divergência não é inédito em Brotas. A 26ª CIPM já foi alvo de questionamentos em outras ocasiões no bairro. Em setembro de 2025, moradores do Engenho Velho de Brotas chegaram a protestar após a morte de um jovem durante operação policial na localidade de Manguinhos, com relatos de que ele teria sido baleado ao descer de uma moto, sem resistência. Em outubro de 2024, uma abordagem da mesma companhia na localidade da Polêmica terminou com quatro presos e moradores agredidos.
O caso do último domingo ainda não tem investigação formal anunciada pelas autoridades. A Polícia Civil da Bahia, responsável por apurar mortes decorrentes de intervenção policial, não se pronunciou até o momento da publicação desta reportagem.
A contradição entre a versão da PM e os relatos dos moradores é um ponto central que merece acompanhamento. Casos em que populares contestam a narrativa policial sobre supostos confrontos têm sido cada vez mais monitorados por entidades de direitos humanos no Brasil.







