Uma nutricionista de 35 anos precisou usar técnicas de defesa pessoal para escapar de uma tentativa de estupro dentro do próprio apartamento, em um condomínio residencial de Barueri, na Grande São Paulo. O ataque aconteceu na manhã do dia 23 de maio e foi registrado pelas câmeras de segurança do prédio.
O suspeito, identificado como Wellington de Oliveira Santos, entrou no condomínio aproveitando a saída de um morador, por volta das 8h22, e passou pela catraca da recepção sem ser abordado por nenhum funcionário. Aos 8h37, as câmeras registram ele chegando ao 18º andar, onde morava a vítima, identificada como Jéssica Santos. A porta do apartamento estava apenas encostada, pois o namorado dela havia saído mais cedo e não tinha as chaves.
Jéssica estava dormindo quando acordou com a presença do invasor no quarto. Wellington tapou a boca dela, simulou estar armado e tentou estuprá-la. Ela reagiu imediatamente. "Eu briguei pela vida mesmo", declarou a nutricionista ao g1.
A luta corporal durou cerca de 13 minutos. Praticante de muay thai, boxe, jiu-jítsu e defesa pessoal, Jéssica conseguiu aplicar o golpe mata-leão no agressor e, num momento de distração dele, chutou-o com força contra a parede. Aproveitou a abertura para subir as escadas e correr pelo corredor, pedindo socorro e batendo nas portas dos vizinhos. Uma moradora abriu a porta e foi imediatamente ajudá-la, seguida de outros moradores que ajudaram a conter Wellington até a chegada da Guarda Civil Municipal.
O suspeito foi preso em flagrante. Na audiência de custódia, realizada no dia seguinte, negou ter tentado agredir ou estuprar a vítima — e pediu quatro vezes ao juiz para não ficar preso. A prisão em flagrante foi convertida em preventiva.
O que agrava ainda mais o caso é o histórico de Wellington: em 2017, ele havia sido condenado a 11 anos e 4 meses de prisão por estupro, roubo com uso de arma e violação de domicílio, em crime cometido em 2015. Após progressão de regime, estava em livramento condicional desde julho de 2021 quando atacou Jéssica.
A advogada da vítima, Silvana Campos, afirma que o condomínio deve ser responsabilizado pelas falhas de segurança que permitiram a entrada do suspeito. A defesa também estuda pedir que o caso seja enquadrado como tentativa de feminicídio. A Polícia Civil apreendeu o celular de Wellington para verificar se ele monitorava a rotina da nutricionista.
Após o ataque, Jéssica deixou o apartamento, passou a fazer acompanhamento psicológico e não consegue mais dormir sem medicação. "Tem hora que é medo, tem hora que é ódio, tem hora que é força. Mas eu sei que briguei para sobreviver", disse.








