A mulher de 37 anos presa em Joinville, Santa Catarina, após fingir ter 12 anos e se infiltrar em uma família local, não é novata no golpe. Novas informações revelam que Amanda Maria Souza de Oliveira já aplicou o mesmo esquema em pelo menos outros seis estados brasileiros antes de ser detida nessa terça-feira (3).
Em depoimento à polícia, Amanda admitiu que mentia o nome e a idade com um único objetivo: conseguir "lugar para dormir e comida". Para tornar a farsa convincente, ela afinava a voz, simulava crises de pânico, usava chupeta e mamadeira e alegava ter autismo — comportamentos que imitavam os de uma criança pequena.
A 6ª Delegacia de Polícia de Joinville confirmou os antecedentes criminais após contato com corporações de outros estados. Amanda já passou por Porto Alegre (RS), Curitiba (PR), Florianópolis (SC), Chapecó (SC), Nova Iguaçu (RJ), Minas Gerais, Goiás e Ceará, seu estado natal.
No Rio de Janeiro, voluntárias de um instituto social a acolheram depois que ela pediu socorro pelas redes sociais, alegando ter fugido de um pai abusivo. A suspeita começou a surgir quando agulhas passaram a aparecer no corpo de Amanda. Um exame de imagem confirmou algo chocante: ela carrega mais de 200 agulhas espalhadas pelo corpo. Em audiência, a defesa afirmou que as lesões foram autoinfligidas.
Em Joinville, a família enganada chegou a fazer uma festa de aniversário para celebrar os "12 anos" da falsa adolescente. O delegado Rodrigo Bueno Gusso, com mais de 20 anos de carreira, disse nunca ter visto caso semelhante. Segundo ele, a família foi vítima de manipulação psicológica profunda e bancou moradia, alimentação, roupas e até medicamentos de alto custo para Amanda.
A Justiça já havia expedido um mandado de prisão contra ela em Goiás um dia antes da detenção em Santa Catarina. Com a prisão preventiva decretada, Amanda será encaminhada ao Presídio Feminino de Joinville. A defesa pediu avaliação psiquiátrica, solicitação que foi acatada pelo juiz.








