O Ministério Público da Bahia (MP-BA) deflagrou nesta terça-feira (26) uma operação para investigar um psicoterapeuta com ampla presença nas redes sociais por suspeita de violação sexual mediante fraude, estelionato e assédio sexual contra mulheres em Salvador. O alvo é Jordan Van Der Zeijden Campos, mais conhecido como Jordan Campos.
Batizada de "Operação Catarse", a ação cumpriu mandados de busca e apreensão na residência e no consultório do investigado, localizados nos bairros da Pituba e do Caminho das Árvores, regiões nobres da capital baiana. Segundo informações divulgadas pelo G1 Bahia, ao menos quatro mulheres foram identificadas como vítimas até o momento.
De acordo com as investigações, as vítimas eram pacientes em atendimento clínico ou alunas de cursos de formação oferecidos pelo investigado. O perfil das denunciantes aponta para uma relação de confiança estabelecida dentro do próprio ambiente terapêutico, o que agrava a natureza dos crimes apurados.
Jordan Campos se apresentava publicamente como psicoterapeuta transpessoal sistêmico, com mais de dez anos de atuação no mercado. Ele acumulava mais de 400 mil seguidores nas redes sociais e conduzia cursos de imersão, eventos presenciais e atendimentos clínicos. Segundo o próprio site profissional dele, era bacharel em Filosofia, pós-graduado em Psicoterapia Clínica e mestrando em Intervenção Psicológica. Também se apresentava como presidente da Abratin, a Associação Brasileira de Terapias Integrativas e Naturistas.
Entre as atividades mais conhecidas do investigado estava a "Vivência Catarse", um evento de imersão terapêutica de três dias que chegava a reunir participantes em regime de hospedagem coletiva. O investigado também era autor de quatro livros com temática terapêutica e conduzia um talk show chamado "O Terapeuta Responde", exibido há mais de 14 anos e com audiência declarada de mais de 20 mil pessoas.
A "Operação Catarse" — nome que remete diretamente à marca mais conhecida do investigado — foi conduzida pelo MP-BA. Por ora, foram cumpridos apenas os mandados de busca e apreensão. Não há informação, até o fechamento desta reportagem, sobre prisão do investigado. As investigações seguem em andamento.
O caso chama atenção pelo alcance da influência exercida pelo investigado sobre o público que o procurava em busca de suporte emocional e terapêutico. A relação de vulnerabilidade entre terapeuta e paciente é um fator que, na legislação brasileira, pode agravar a responsabilização penal em crimes de natureza sexual.
O ChicoSabeTudo acompanha o caso e traz novas informações conforme o MP-BA se pronunciar.







