Uma bebê de 1 ano e 4 meses foi morta a tiros dentro da própria casa na madrugada deste domingo (28), no bairro de Linha do Tiro, na Zona Norte do Recife. A menina, identificada como Maya, foi atingida por disparos quando criminosos invadiram o imóvel onde a família vivia, no Habitacional Eduardo Campos.
Segundo informações da Polícia Militar de Pernambuco, os criminosos invadiram a residência à procura do pai da menina. A vítima foi atingida no rosto e no abdômen. O pai da criança, de 27 anos, também ficou ferido — ele teve ferimentos em um dedo de uma das mãos.
A criança ainda chegou a ser socorrida para a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Nova Descoberta, também na Zona Norte, mas não resistiu aos ferimentos e faleceu. Não há informações atualizadas sobre o estado de saúde do pai.
O caso é investigado pela Polícia Civil de Pernambuco por meio da Equipe de Força Tarefa de Homicídios na Capital. A polícia não informou quem seria o alvo da tentativa de homicídio. Até o momento, nenhum suspeito foi identificado ou preso.
O crime acontece num cenário de escalada da violência armada contra crianças na região. Segundo o Relatório anual do Instituto Fogo Cruzado de 2025, 148 pessoas de 0 a 17 anos foram baleadas no Grande Recife no último ano — o maior número desde 2019, quando o monitoramento na localidade iniciou.
Do total, 16 crianças de até 11 anos foram baleadas na Região Metropolitana do Recife ao longo do ano passado. Quatro delas morreram. Entre janeiro e maio de 2026, 1.174 pessoas já foram assassinadas em Pernambuco.
O bairro Linha do Tiro, onde o crime ocorreu, herdou o nome de um antigo centro de treinamento de tiro que funcionou na área no século passado. Hoje, a região integra uma das zonas com maior concentração de violência armada da capital pernambucana. Entre os bairros da Região Metropolitana do Recife, Nova Descoberta — onde fica a UPA que atendeu as vítimas — aparece entre os que concentraram o maior número de baleados em 2025, com 33 registros.
A morte de Maya choca pela brutalidade e pela idade da vítima. O caso reacende o debate sobre a segurança pública em Pernambuco e a proteção de famílias que vivem em áreas marcadas por disputa territorial entre grupos armados.







