A Polícia Científica de Alagoas finalizou, nesta quarta-feira (12), os exames toxicológicos ligados ao caso de intoxicação coletiva registrado em Pariconha, no Alto Sertão do estado. O Laboratório de Química e Toxicologia Forense identificou metomil, substância usada como inseticida agrícola, em três das amostras periciadas.
Segundo o perito criminal Thalmanny Goulart, chefe da unidade de Química do laboratório, foram examinadas duas garrafas de cachaça de uma mesma marca e uma garrafa pet contendo uma mistura artesanal, conhecida como "garrafada". As investigações apontam que o conteúdo das garrafas de cachaça teria sido utilizado para preparar a bebida acondicionada no recipiente pet.
"Os exames identificaram a presença do metomil exclusivamente na bebida da garrafa pet. Nas duas garrafas de cachaça originais não foi detectada a presença do agrotóxico", afirmou Goulart.
O Laboratório de Toxicologia Forense também finalizou as análises biológicas de dois sobreviventes do episódio. Os resultados confirmaram a ingestão de metomil, a mesma substância encontrada na garrafada e já identificada anteriormente no organismo de Gilberto Alves Vicente, de 36 anos, vítima fatal do caso.
O metomil é um inseticida agrícola cuja ação sobre o sistema nervoso pode desencadear quadros graves de intoxicação. Entre os sinais mais comuns estão náusea, vômito, diarreia e dificuldade para respirar, podendo evoluir para alterações cardíacas, tremores e, nos casos mais severos, paralisia da musculatura respiratória.
De acordo com a Polícia Científica, os laudos periciais já foram encaminhados à Polícia Civil e à Secretaria de Estado da Saúde (Sesau) para dar continuidade ao inquérito e às ações de vigilância sanitária.







