Salvador, na Bahia, brilhou no cenário imobiliário brasileiro de 2025, conquistando o topo do ranking entre as capitais com a maior valorização dos imóveis residenciais. Os dados, divulgados pelo Índice FipeZAP na última terça-feira (6), mostraram que a capital baiana registrou um aumento impressionante de 16,25% no preço médio das casas e apartamentos ao longo do ano passado.
Quem ajuda a entender esse movimento é o economista Armando Avena, que também é imortal da Academia de Letras da Bahia (ALB). Em entrevista ao g1 Bahia, ele explicou que uma mistura de fatores impulsionou essa alta. "O aumento na procura de turistas e os muitos investimentos em infraestrutura são os principais motivos que fazem os preços dos imóveis subirem em Salvador", contou Avena.
O que fez os preços dispararem?
A valorização dos imóveis em Salvador está diretamente ligada a melhorias e novidades na cidade. Os investimentos em infraestrutura, por exemplo, não só atraíram quem queria investir e comprar, mas também abriram portas para novos projetos de construção em áreas que antes eram mais limitadas. "Um bom exemplo disso foi o grande desenvolvimento em Patamares e nos arredores. Por lá, foi permitido construir prédios mais altos, o que antes não era possível", explicou o economista.
Além disso, bairros conhecidos como Horto Florestal, Caminho das Árvores e Barra viram um aumento na oferta de imóveis e, naturalmente, uma busca maior por eles. A melhora na mobilidade urbana, resultado desses investimentos estruturais, também fez com que mais pessoas procurassem imóveis e, consequentemente, impulsionassem a elevação dos preços.
PublicidadeTambém houve um aumento na demanda turística e isso leva a uma expansão de novos empreendimentos imobiliários. A recuperação da atividade econômica ajudou bastante. O PIB baiano cresceu esse ano e a taxa de desemprego foi menor, o que anima o mercado.
Armando Avena, economista
Salvador sai da lanterna para o topo
É interessante notar que, até meados de 2024, Salvador era uma das capitais com imóveis mais em conta no Brasil. Naquele tempo, a cidade estava na 16ª posição do ranking nacional, com o valor médio do metro quadrado abaixo de R$ 6 mil. Essa base de preços mais baixa, segundo Avena, pode ter dado um "empurrão" para a valorização atual.
Depois de Salvador, outras capitais também tiveram um bom desempenho em 2025: João Pessoa, na Paraíba, teve valorização de 15,15%, e Vitória, no Espírito Santo, registrou 15,13%. Na outra ponta do ranking, com as menores altas, estavam Brasília (4,05%), Goiânia (2,55%) e Aracaju (2,23%). Um ponto importante: nenhuma das cidades analisadas mostrou queda nos preços nesse período.
Detalhes sobre os dados do FipeZAP
Alison Oliveira, coordenador do Índice FipeZAP, explicou ao g1 que o estudo considera os valores médios dos anúncios de imóveis publicados nos portais do Grupo OLX (Zap, Viva Real e OLX). Ele garantiu que os dados são tratados com cuidado estatístico para que as comparações ao longo do tempo sejam justas e sem distorções. "O ranking nacional é sempre feito com base no índice geral da cidade, sem depender de detalhes de bairros", esclareceu Oliveira.
O coordenador também reforçou que o aumento de Salvador está alinhado com um mercado imobiliário mais aquecido em geral, com mais lançamentos e um dinamismo maior nos segmentos de imóveis de médio e alto padrão.
O futuro dos imóveis na capital baiana
Armando Avena acredita que os preços dos imóveis em Salvador ainda devem continuar subindo. Mesmo com o salto recente, a capital baiana ainda está na 14ª posição no país em relação ao valor do metro quadrado, o que sugere um espaço para crescer mais. "Salvador está com muitos empreendimentos novos, principalmente em áreas que estão se expandindo como Patamares e toda a região de Piatã. Há uma tendência de crescimento para os próximos anos", finalizou o economista.
A expectativa é que a cidade continue em expansão, impulsionada pela constante chegada de novos projetos imobiliários.







