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Sem luz e sem resposta: produtores do Pedra Branca fecham BR-116 em Abaré de novo

Moradores e agricultores do Sistema Itaparica voltaram a interditar a rodovia federal cobrando energia elétrica para irrigação — situação que ameaça plantações e o sustento de centenas de famílias na divisa da Bahia com Pernambuco.

Redação ChicoSabeTudoRedação · Municipios
18 de maio, 2026 · 11:42 2 min de leitura
Agricultores bloqueiam a BR-116 no Trevo dos Sem Terra em Abaré, Bahia, com faixas e cartazes pedindo energia elétrica para irrigação
Agricultores bloqueiam a BR-116 no Trevo dos Sem Terra em Abaré, Bahia, com faixas e cartazes pedindo energia elétrica para irrigação

Moradores e agricultores ligados ao Projeto de Irrigação Pedra Branca voltaram a interditar a BR-116, no Trevo dos Sem Terra, em Abaré, no norte da Bahia. O protesto aconteceu nesta semana e é mais uma rodada de pressão contra o Governo Federal e o Governo da Bahia pela falta de energia elétrica no sistema, problema que está comprometendo diretamente a produção agrícola e o abastecimento de água das famílias da região.

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O Projeto Pedra Branca integra o chamado Sistema Itaparica, que atende comunidades nos municípios de Abaré e Curaçá, na Bahia, e Cabrobó, em Pernambuco. O problema afeta a rotina de mais de 45 mil agricultores familiares que vivem numa faixa de 150 quilômetros entre Pernambuco e Bahia.

Os manifestantes usaram galhos de árvores e faixas para impedir a passagem de veículos. O ato foi considerado pacífico pela Polícia Rodoviária Federal (PRF), mas provocou congestionamentos de cerca de 5 quilômetros nos dois sentidos da rodovia, importante ligação entre Bahia, Pernambuco, Sergipe e Alagoas. Com cartazes de "Projeto Pedra Branca pede socorro" e "Não somos invisíveis", os trabalhadores cobraram providências urgentes das autoridades.

Segundo os manifestantes, o protesto tem como objetivo cobrar do Governo Federal o pagamento da energia elétrica, que estaria em atraso, além da liberação do Retrofit para os produtores da região. De acordo com os agricultores, um acordo previa que a União custearia a energia usada na irrigação e no abastecimento de água, compromisso que, segundo eles, não vem sendo cumprido.

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Os desligamentos de energia são tão temidos porque podem colocar em risco as lavouras, já que toda a água da região vem do sistema de irrigação, que necessita de energia para o bombeamento. Os manifestantes temem a suspensão do fornecimento de energia, o que pode prejudicar plantações de milho, banana, manga e melancia, afetando a renda de mais de 50 mil pessoas.

O cenário não é novo. Os próprios manifestantes afirmam que o perímetro irrigado Brígida, em Pernambuco, já está sem energia elétrica. Conforme relato de agricultores da região, em plantações de ciclo curto, como melancia e hortas, dois ou três dias sem energia já podem arruinar a colheita.

No fim dos anos 1980, os produtores foram realocados em assentamentos na região devido à construção da usina hidrelétrica Luiz Gonzaga, que inundou uma área de 83.400 hectares para formar o Lago Itaparica. Desde então, agricultores denunciam o descumprimento de obrigações contratuais por parte da Chesf, apontando falhas graves na regularização fundiária e na manutenção das infraestruturas de irrigação.

Em nota, a Codevasf informou que mantém diálogo com produtores, concessionárias e órgãos federais para buscar soluções para os projetos do Sistema Itaparica. Mesmo assim, os manifestantes afirmaram que não vão recuar enquanto não houver uma resposta concreta das autoridades. A rodovia federal segue como o principal palco de pressão dos trabalhadores rurais da região.

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