A educação pública de Salvador, na Bahia, passa por um momento de modernização com a reforma do Colégio Municipal Hildete Lomanto, localizado no tradicional bairro do Garcia. A prefeitura da capital baiana decidiu que o prédio atual será demolido para dar lugar a uma estrutura novinha em folha. Enquanto as obras acontecem, os quase 600 alunos serão transferidos, de forma temporária, para um local com muita história: o antigo Colégio 2 de Julho, ali mesmo no Garcia.
Essa mudança é um passo importante no trabalho da Secretaria Municipal de Educação (Smed) para renovar a infraestrutura das escolas da cidade. O Colégio 2 de Julho, que um dia foi um dos mais importantes da educação baiana, está fechado atualmente e enfrenta sérios problemas de manutenção, depois de acumular várias dívidas trabalhistas. Por isso, seu grande espaço se torna uma alternativa viável para abrigar os estudantes.
O titular da Smed, Thiago Dantas, confirmou a informação em entrevista, destacando que a reconstrução do Hildete Lomanto faz parte de um grande plano da prefeitura. Ele apontou o 2 de Julho como a principal opção para a realocação provisória dos alunos.
“Está dentro do projeto de reconstruções. Uma das possibilidades seria o 2 de Julho; seria algo temporário. Já temos pré-projetos para a reconstrução”, explicou Dantas.
As negociações para essa realocação temporária já estão bem adiantadas, e o prefeito Bruno Reis (União) deu o seu aval para o projeto. O próximo passo será uma série de “reuniões prévias” para acertar todos os detalhes da mudança dos estudantes.
O que esperar do novo Colégio Hildete Lomanto?
Inaugurado em 2013 em sua configuração atual, o Colégio Municipal Hildete Lomanto atende hoje a 581 alunos, desde a pré-escola até o Ensino Fundamental II, além de oferecer aulas para Jovens e Adultos (EJA). Mesmo com essa quantidade, a escola tem capacidade para atender até 1.197 estudantes, segundo o Censo Escolar de 2024. A nova estrutura promete modernizar ainda mais os espaços já existentes:
- Parque infantil e pátio para recreação;
- Quadra de esportes e refeitório;
- Sala de música e laboratório de informática;
- Sala de recursos multifuncionais, dedicada ao Atendimento Educacional Especializado (AEE).
A ideia é que, após a reforma, o colégio ofereça um ambiente ainda mais adequado e moderno para o aprendizado.
Colégio 2 de Julho: Um gigante histórico que se prepara para receber alunos
O antigo Colégio 2 de Julho não é apenas um prédio, mas um pedaço da história de Salvador. O complexo, que abrigava o colégio, uma faculdade e o imponente Palácio Conde dos Arcos, foi construído lá em 1781. É um imóvel tão importante que é tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e faz parte do patrimônio da Fundação Dois de Julho.
Originalmente, o local abrigava o Colégio Americano, que depois foi rebatizado em homenagem à data da Independência da Bahia. No ano 2000, a fundação expandiu suas atividades, criando uma faculdade, mas, infelizmente, ela fechou as portas em 2021. Desde então, a situação financeira da instituição piorou muito.
Mesmo com nove tentativas de leiloar o patrimônio para pagar as dívidas trabalhistas, o problema continua. Recentemente, a instituição foi declarada "insolvente", o que significa que não tem mais como pagar o que deve. Por conta disso, o processo judicial saiu do Tribunal Regional do Trabalho (TRT) e foi para o Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA).
Com uma área total de 6,1 mil m², o espaço inclui os prédios Erasmo Braga e Irene Baker, que funcionaram como salas de aula. Além dos casarões históricos, há ainda duas áreas grandes, de 1,5 mil m² e 4,6 mil m², que juntas oferecem um vasto espaço para a comunidade escolar.
A escolha do 2 de Julho para abrigar temporariamente os estudantes do Hildete Lomanto mostra a intenção da prefeitura de otimizar espaços existentes, garantindo que a educação não pare enquanto a modernização acontece.







