O Carnaval de Salvador, na Bahia, provou mais uma vez que a folia e a preocupação com o meio ambiente podem, sim, andar de mãos dadas. Durante os dias de festa, a cidade implementou diversas iniciativas sustentáveis, com destaque para o monitoramento da qualidade do ar e um inovador projeto de reaproveitamento de tecidos que também gera inclusão social.
Ar puro e conscientização durante a folia
Um dos pontos centrais dessas ações foi o Observatório do Clima, um espaço montado em um contêiner no Circuito Osmar (Centro) pela Prefeitura. Lá, a equipe monitorou a qualidade do ar nos principais circuitos da festa, como Campo Grande e Barra, usando equipamentos especiais. O objetivo é criar um histórico de dados que ajude a entender os padrões de poluição ao longo dos anos.
O secretário da Secretaria de Sustentabilidade, Resiliência, Bem-Estar e Proteção Animal (Secis), Ivan Euler, compartilhou um achado interessante:
"Tivemos alguns resultados surpreendentes: a qualidade do ar no Campo Grande foi melhor do que na Barra, mesmo a Barra estando de frente para o mar. Acreditamos que a altura do vento e a presença de árvores aqui ajudam nessa melhoria", explicou Ivan Euler.
Além do monitoramento, o Observatório do Clima funcionou como um centro de informações. Ali, as pessoas podiam aprender sobre a coleta de lixo, campanhas educativas e como proteger o Parque Marinho da Barra, um importante patrimônio natural da cidade. O espaço também promoveu a distribuição de copos reutilizáveis, incentivando a redução do lixo plástico, e desafiou os foliões com um quiz divertido sobre sustentabilidade no Carnaval.
Tecidos que viram novas oportunidades com o Refoliar
Outra iniciativa que chamou a atenção foi o projeto Refoliar, focado no reaproveitamento de tecidos. Funcionários da Prefeitura puderam entregar suas camisas usadas durante o Carnaval em urnas espalhadas pelo Observatório e em outros prédios municipais. A ideia é dar um novo destino a esses materiais, que de outra forma poderiam virar lixo.
Vanda Souza, diretora do Refoliar, destacou a importância do projeto:
"O setor têxtil é o segundo maior poluidor do mundo. Quando se fala em latinhas ou garrafas PET, já existem muitas cooperativas. O têxtil não tem essa mesma estrutura. Então pensamos em criar esse projeto", disse Vanda.
Mas o Refoliar vai muito além da reciclagem. Ele combina a sustentabilidade com a inclusão social, capacitando mulheres em situação de vulnerabilidade. Em parceria com a instituição Pérolas de Cristo, o projeto vai oferecer um curso para 20 mulheres, ensinando técnicas de reaproveitamento de tecidos para que elas possam gerar sua própria renda. As primeiras peças produzidas serão cobertores feitos com retalhos de camisetas e abadás recolhidos, que depois se transformarão também em mochilas-saco.
Esses novos produtos serão doados para pessoas em situação de rua, fechando um ciclo de solidariedade e responsabilidade ambiental. Com essas ações, o Carnaval de Salvador mostra que é possível celebrar com alegria e, ao mesmo tempo, cuidar do planeta e das pessoas.







