Paulo Afonso · BA
Última hora
Operação prende 14 suspeitos em Salvador nesta manhãSTF retoma julgamento sobre marco temporal nesta tardeVitória empata em casa pela Copa do BrasilVagas de emprego no polo de Camaçari saltam 22%Salvador registra maior volume de chuva do mês
PI 637
Municipios

Paulo Afonso treina 44 funcionários em Libras para transformar o atendimento no comércio local

Projeto "Inclusão que Vende", lançado pela Prefeitura em parceria com Sebrae e instituições de ensino, reúne 23 empresas num curso de dois meses focado em comunicação prática com a comunidade surda.

Redação ChicoSabeTudoRedação · Municipios
19 de maio, 2026 · 12:02 3 min de leitura
Funcionários de comércio aprendem Libras em aula prática em Paulo Afonso
Funcionários de comércio aprendem Libras em aula prática em Paulo Afonso

Paulo Afonso deu um passo concreto em direção a um comércio mais acessível. Desde o dia 5 de maio, a Prefeitura Municipal, por meio da Secretaria de Turismo, Indústria e Comércio (SETIC) e da Casa do Empreendedor Reginaldo Ramos, está formando trabalhadores do setor de comércio e serviços em Língua Brasileira de Sinais. O projeto se chama "Inclusão que Vende – Libras no Comércio de Paulo Afonso".

Publicidade

Segundo informações divulgadas pela Prefeitura de Paulo Afonso, o curso reúne atualmente 23 empresas participantes e 44 funcionários em treinamento, distribuídos em diferentes segmentos do comércio, serviços e instituições que atuam no atendimento ao público. A formação tem duração de dois meses e as aulas acontecem às terças e quintas, na sede do Sebrae Paulo Afonso, no Centro da cidade.

O objetivo não é formar intérpretes, mas dar aos profissionais uma base funcional de comunicação em Libras. O conteúdo cobre situações do dia a dia, como recepção, orientação ao cliente, realização de vendas, cobranças e esclarecimento de dúvidas. A ideia é que o primeiro contato entre o atendente e a pessoa surda seja mais humano, respeitoso e eficaz.

As aulas são conduzidas pelo professor Fagner Evangelista Braga, do Centro de Inclusão de Educação Especial e Acessibilidade. Segundo a fonte original, o conteúdo inclui comunicação básica, postura visual, expressões, sinais essenciais e situações reais de atendimento. No Brasil, as pessoas surdas e com deficiência auditiva representam cerca de 10 milhões de brasileiros, o que dimensiona o alcance de iniciativas como essa.

Publicidade

O projeto foi idealizado por Tauir Wagner, Agente de Desenvolvimento e Coordenador da Casa do Empreendedor Reginaldo Ramos, e nasceu, segundo a coordenação, da escuta de demandas reais da comunidade surda local — especialmente as dificuldades enfrentadas em situações simples do cotidiano, como ir a uma loja, pagar uma conta ou tirar uma dúvida.

A iniciativa conta com apoio institucional da Secretaria Municipal de Tecnologia e Inovação, da Secretaria Municipal de Educação, do IFBA Campus Paulo Afonso, da UNEB, do Grau Técnico e do Sebrae Paulo Afonso. A articulação entre poder público, ensino superior e setor produtivo reforça o alcance social e econômico do projeto. Investir na Língua Brasileira de Sinais para a equipe é mais do que cumprir uma exigência social; é abrir portas para um mercado mais amplo, fortalecer a cultura de inclusão e garantir que clientes surdos tenham acesso pleno aos serviços, como destacam especialistas na área.

O prefeito Mário Galinho afirmou, segundo a publicação oficial, que "inclusão não pode ficar apenas no discurso" e precisa chegar ao atendimento e à vida real da população. Já o secretário Emerson Leandro destacou que a ação "valoriza o empreendedor, qualifica o trabalhador e amplia o respeito ao consumidor". Para o Sebrae, representado por Ana Paula, acessibilidade também é desenvolvimento — porque prepara os negócios para atender melhor e amplia oportunidades.

A pessoa com deficiência auditiva precisa enfrentar barreiras diárias na hora de se comunicar, e nem sempre é possível encontrar um intérprete nas mais diversas situações do cotidiano. Projetos voltados ao comércio local têm se mostrado uma resposta direta a esse problema. Em Salvador, por exemplo, a Prefeitura tem investido em capacitações de servidores e da sociedade civil, com quase 600 pessoas passando por cursos de Libras entre janeiro e maio de 2025. Paulo Afonso segue na mesma direção, mas com foco específico no setor produtivo privado.

Com empresas de diferentes segmentos e o apoio de universidades e entidades de fomento, o "Inclusão que Vende" se apresenta como uma das iniciativas de acessibilidade mais articuladas já realizadas no município. O curso segue em andamento até o início de julho.

Leia também