Uma técnica de enfermagem desempregada foi às agências de emprego procurar trabalho e saiu de lá com uma surpresa no mínimo inusitada: seu cadastro no sistema trabalhista a registra como presidente da República há 24 anos e dois meses.
O caso é de Aldenize Ferreira da Silva, moradora de Jaboatão dos Guararapes, na Região Metropolitana do Recife. Na última quarta-feira (13), ela foi à Agência do Trabalhador do município para tentar uma colocação profissional quando o atendente consultou seu CPF e ficou sem acreditar no que viu na tela.
"Ele olha para mim e diz assim: 'a senhora está de brincadeira comigo, né?'. Ele disse: 'como é que a senhora tem o cargo de presidente da República desde o dia 14 de março de 2002?'", contou Aldenize.
O registro também aparece na Carteira de Trabalho e Previdência Social (CTPS) Digital da trabalhadora, com salário inicial de R$ 201,60. O documento aponta que o cargo de presidente estaria vinculado à prefeitura de Jaboatão e indica uma última remuneração de R$ 15,42, em dezembro de 2002.
Na realidade, Aldenize trabalhou na prefeitura entre 2000 e 2002 como merendeira em uma escola na zona rural do município, a Escola Municipal Rural Elizabeth Menezes, na comunidade de Manassu. Ela afirma que nunca teve esse vínculo registrado em sua carteira física.
Além do constrangimento, o erro tem um impacto concreto: com o vínculo em aberto no sistema, Aldenize não aparece como disponível para novas contratações — e pode ter dificuldades futuras para requerer aposentadoria.
"Acho que eu não estou arrumando emprego mesmo por conta desse problema, porque vai ver que o vínculo está em aberto", disse ela, que se formou em técnica de enfermagem em 2023 e vem buscando trabalho na área desde então.
A prefeitura de Jaboatão informou que o erro ocorreu durante a migração do antigo sistema SEFIP (usado para recolhimento do FGTS e informações à Previdência Social) para o e-Social. Segundo a gestão municipal, nessa transição alguns servidores que ocupavam "cargo comissionado genérico" foram registrados equivocadamente como "presidente da República" nas bases de dados.
A prefeitura orientou Aldenize a comparecer à Unidade de Gestão de Pessoas (UGEP), no Palácio da Batalha, sede do município, para regularizar a situação. A gestão afirmou ainda ter adotado medidas para evitar que o problema se repita.







