O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) abriu um inquérito civil para acompanhar de perto os planos de um novo Centro de Treinamento (CT) para o Santos Futebol Clube e uma arena esportiva em Praia Grande, no litoral paulista. O projeto, que envolve a empresa do pai de Neymar em parceria com o clube e o Grupo Peralta, está sob os olhos da Promotoria de Justiça local por possíveis preocupações ambientais.
A notícia, divulgada nesta segunda-feira (2) pelo ge.globo, revela que o promotor Alessandro Bruscki, de Praia Grande, determinou o procedimento com foco principal na área escolhida para a construção. Ela fica perto do Parque Estadual Xixová-Japuí, uma importante unidade de conservação ambiental de proteção integral, criada em 1993.
Um Projeto Grandioso sob Análise
A ideia do empreendimento foi apresentada publicamente em junho do ano passado. Ela prevê ocupar cerca de 90 mil metros quadrados com um centro de treinamento moderno. A estrutura inclui vários campos de futebol, áreas de hotelaria e uma arena multiuso, pensada para receber até 25 mil pessoas. A proposta é tão ambiciosa que o novo CT ganharia o nome de Vila Praia Grande, com cinco campos e três hotéis. O plano ainda contempla uma arena com a marca Neymar na mesma cidade que já abriga o instituto social do craque.
O objetivo é que o Santos possa mandar jogos no novo estádio, complementando a modernização da Vila Belmiro. Com a mudança, o CT Rei Pelé seria destinado às categorias de base, e o Meninos da Vila, ao futebol feminino.
Os Pontos de Atenção do Ministério Público
O Ministério Público vê o Parque Xixová-Japuí como uma “unidade de conservação de proteção integral, sujeita a regime jurídico ambiental específico”. Por isso, o inquérito começou mesmo antes de o projeto avançar formalmente, como uma medida preventiva.
A investigação ministerial foca em quatro aspectos principais:
- Localização exata do empreendimento, buscando esclarecimentos da Prefeitura de Praia Grande.
- Verificar a existência de Áreas de Preservação Permanente (APPs), zonas de amortecimento ou qualquer influência direta no Parque Estadual Xixová-Japuí.
- A necessidade de estudos ambientais prévios para avaliar os impactos.
- A regularidade dos processos de licenciamento ambiental e urbanístico.
“O MPSP informa que há um IC instaurado para acompanhamento. Por enquanto trata-se de um projeto, não há nada de concreto ainda, nem mesmo foi firmado contrato entre o empreendedor e o Santos Futebol Clube”, disse o Ministério Público de São Paulo em nota.
O órgão reforçou que o inquérito está em fase bem inicial e que, até o momento, não há nenhuma conclusão sobre a existência de irregularidades. “Como ainda é um projeto, nem podemos afirmar que há irregularidades, no momento”, acrescentou a nota.
O Que Dizem as Autoridades Locais
Até agora, não foi feito nenhum pedido formal de licenciamento junto à Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) nem à Secretaria de Meio Ambiente (Sema) de Praia Grande. A secretaria municipal informou que não recebeu informações detalhadas sobre o local exato ou sobre a supressão de vegetação necessária.
A Sema esclareceu que seu papel é acompanhar o cumprimento da lei e as licenças que precisarão ser pedidas aos órgãos responsáveis. A Prefeitura de Praia Grande explicou que qualquer intervenção dependerá de um processo de licenciamento com a Cetesb, que definirá a área para avaliação ambiental, incluindo preservação e compensação.
Apesar da fase inicial e da ausência de um projeto protocolado, o prefeito de Praia Grande, Alberto Mourão (MDB), demonstrou apoio à iniciativa. Ele destacou o potencial de impulsionar a economia e o turismo na cidade.
“Praia Grande só tem a ganhar com a vinda de megaempreendimentos que estão previstos, entre eles o CT do Santos. A região toda ganha. Nossa cidade será palco de um complexo esportivo e turístico maravilhoso, de nível internacional, com capacidade de recepcionar atletas do país e do exterior, inclusive com área de hospedagem”, afirmou o prefeito.
Mourão também fez questão de ressaltar a importância de respeitar as normas ambientais. “É importante explicar ainda que toda essa estrutura será montada respeitando as questões ambientais definidas pelos órgãos competentes”, concluiu.
A Importância do Parque Xixová-Japuí
O Parque Estadual Xixová-Japuí tem uma área equivalente a cerca de 600 campos de futebol. Ele abriga diversos ecossistemas ricos, como Mata Atlântica, restinga, costão rochoso e áreas marinhas. Além disso, é o lar de uma vasta fauna e flora, incluindo muitas espécies ameaçadas de extinção. A proximidade do projeto a essa área sensível é o que motivou a atenção preventiva do Ministério Público.







