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Esportes

Dez meses no Vitória, 50 jogos e um argumento: Jair Ventura defende que treinador tem direito de durar

Técnico rubro-negro usou coletiva pós-vitória sobre o Vasco para rebater a cultura de demissões precoces no futebol brasileiro e citar Abel Ferreira como modelo de trabalho contínuo.

Redação ChicoSabeTudo
17 de julho, 2026 · 12:29 3 min de leitura
Técnico Jair Ventura gesticulando à beira do campo durante partida do Vitória no Barradão
Técnico Jair Ventura gesticulando à beira do campo durante partida do Vitória no Barradão

O Vitória venceu o Vasco da Gama por 1 a 0 na noite desta quinta-feira, 16 de julho, pela 19ª rodada do Campeonato Brasileiro, no Barradão. Mas o técnico Jair Ventura deixou claro que o resultado foi apenas parte do que comemorava na saída de campo.

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A partida marcou o 50º jogo de Ventura à frente do Leão da Barra. Em entrevista coletiva após a partida, o treinador comemorou a marca, que totaliza 26 vitórias, oito empates e 16 derrotas, com 57,3% de aproveitamento.

O técnico de 47 anos não perdeu a oportunidade para entrar em um debate que considera fundamental: a falta de paciência do futebol brasileiro com seus treinadores. No Brasileirão 2025, foram registradas 23 trocas de treinadores ao longo da temporada — um retrato da instabilidade que Jair Ventura diz querer combater com o próprio exemplo.

"Presente para nós mesmos, 50 jogos hoje com a camisa do Vitória. Uma marca expressiva no futebol brasileiro, estamos aqui há dez meses. Voltamos do jeito que terminamos, dando alegria para a torcida", afirmou o treinador.

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Na avaliação do comandante rubro-negro, há uma injustiça estrutural no tratamento dado aos técnicos no Brasil. "Parece que o treinador não tem direito de trocar uma equipe por outra, mas tem direito de ser demitido. Acho que a longevidade é o melhor, é importante, é só olhar como o Palmeiras joga com Abel." O português Abel Ferreira comanda o Palmeiras desde o final de 2020, acumulando títulos e consolidando um estilo de jogo reconhecível — exatamente o modelo que Jair Ventura defende como ideal.

Depois de salvar o Vitória do rebaixamento em 2025, o técnico se credenciou a continuar no clube e colheu frutos desta manutenção, como a conquista do título do Nordeste e a classificação sobre o Flamengo na Copa do Brasil. A trajetória reforça o argumento que ele mesmo defende: tempo de trabalho gera confiança, e confiança gera resultados.

A longevidade também tem reflexo direto nas escolhas táticas. "Essa variedade me dá opções para usar, e a longevidade me dá confiança para fazer essas mudanças", disse o treinador, ao comentar as novidades no elenco. Durante o jogo contra o Vasco, Jair promoveu as estreias dos argentinos Pochettino e Brítez — ambos contratados recentemente — e relacionou o volante Walace pela primeira vez.

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"Esse é o segredo de nossa gestão. Essa briga é muito boa, no amistoso um fez três gols, o outro fez dois. Eu fico no banco só esfregando as mãos. Essa competitividade interna é muito boa para nós, saber que um acelera o outro."

A longevidade é um fator que faltou em diversas passagens de técnicos do Vitória nos últimos anos, mas Jair Ventura está conseguindo pôr um fim neste retrospecto. O Rubro-Negro esteve sob o comando de 73 nomes em todo o século XXI. O último recorde de longevidade de um treinador do Leão da Barra em um Brasileirão pertencia a Vagner Mancini, que ficou no cargo até a 24ª rodada da edição de 2016.

Jair Ventura e seus comandados têm pela frente um compromisso pelo jogo atrasado da quarta rodada do Campeonato Brasileiro. Se depender do técnico, a sequência vai durar — e ele não cansa de repetir por quê isso importa.

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