O Fluminense chega ao amistoso deste domingo (12) contra o Bahia, no Maracanã, carregando um peso que vai muito além das quatro linhas. O clube carioca acumula, segundo informações do jornalista Paulo Brito, o terceiro mês consecutivo sem cumprir o prazo habitual de pagamento da folha salarial — e os vencimentos de junho ainda não foram depositados para jogadores, comissão técnica e demais funcionários.
A partida preparatória, marcada para as 16h com transmissão da Cazé TV e da Band, serve de aquecimento para a retomada do Brasileirão após a pausa da Copa do Mundo. Mas os bastidores tricolores estão longe de ser tranquilos.
Pelo terceiro mês consecutivo, o Fluminense não consegue pagar os funcionários até o quinto dia útil. O ambiente nas Laranjeiras, em Xerém e no Centro de Treinamentos Carlos Castilho ainda não é de desespero, segundo a apuração de Brito, mas já gera preocupação entre atletas e trabalhadores do clube.
A diretoria trabalha para administrar a situação sem deixar a crise escalar. Nos bastidores, a expectativa é de que os atrasos se repitam até o fim da temporada, enquanto os dirigentes buscam alternativas para equilibrar as contas. A meta de arrecadar cerca de R$ 220 milhões com venda de jogadores em 2026 é considerada, internamente, difícil de ser atingida — o que aumenta a dependência do clube em relação a premiações em competições nacionais e internacionais.
O cenário é agravado pelo tamanho da dívida tricolor. A dívida nominal subiu para R$ 1,04 bilhão, marca inédita na história do clube. A evolução partiu de aproximadamente R$ 860 milhões — considerando fatos geradores anteriores a 2019 — para a casa de R$ 1 bilhão no fechamento de 2025.
A pressão esportiva também pesa. A diretoria teme que uma eliminação precoce na Libertadores ou na Copa do Brasil agrave ainda mais o quadro financeiro, já que as premiações dessas competições fazem parte do plano de reequilíbrio das contas.
A principal aposta para sair da crise é a transformação do clube em Sociedade Anônima do Futebol (SAF). A transformação do Fluminense em SAF vem se desenhando como um dos principais trunfos da atual gestão para equacionar o passivo do clube sem abrir mão de um elenco forte. O presidente Mattheus Montenegro destrinchou o cenário econômico tricolor e revelou os próximos passos das negociações, colocando a transparência institucional como condição inegociável.
A premissa central imposta pelo clube na mesa de negociações é de que o investidor assuma obrigatoriamente 100% da dívida da associação. Segundo a proposta apresentada pela Lazuli Partners e pela LZ Sports ao Conselho Deliberativo, o fundo de investidores promete um aporte de R$ 500 milhões nos dois primeiros anos da SAF — R$ 250 milhões no ato da assinatura e outros R$ 250 milhões até 24 meses depois.
Para o Bahia, o amistoso é oportunidade de ajuste tático antes da retomada da temporada. Para o Fluminense, além de preparação esportiva, qualquer resultado positivo em campo pode ajudar a aliviar, ao menos momentaneamente, a pressão que se acumula fora dele.







