O retorno do zagueiro Wagner Leonardo ao Vitória depende de um acerto que vai muito além de futebol. O presidente rubro-negro Fábio Mota foi a público na última quinta-feira (9) para cobrar uma dívida histórica do Grêmio e revelar os bastidores da negociação frustrada que antecedeu a contratação do argentino Emmanuel Brítez.
Em entrevista coletiva convocada para anunciar novos patrocinadores, Mota confirmou que o clube baiano tentou repatriar Wagner Leonardo antes de buscar outra opção no mercado. A tentativa, porém, não avançou. "Wagner Leonardo é amigo do clube e seria uma peça importante para o Vitória. Antes do Brítez a gente tentou, mas o Grêmio não liberava e não pagava", afirmou o dirigente, completando que o Leão tentou "recuperar o seu ativo", mas sem sucesso.
O presidente não poupou palavras ao falar da dívida pendente. "Eu quero é receber o meu dinheiro do Grêmio, que os caras não pagam. Não aguento mais falar sobre isso", disse Mota, deixando claro que a prioridade do clube é receber os valores pendentes da negociação de 2025.
Segundo o jornalista Kaliel Dorneles, o Grêmio ainda tem US$ 2,5 milhões a pagar ao Vitória pela aquisição do zagueiro, realizada em fevereiro de 2025. Do montante restante, uma parcela de US$ 1 milhão já está vencida. O pagamento deveria ter sido efetuado em março deste ano, mas segue em aberto. O diretor de futebol do Vitória, Sérgio Papellin, havia estimado essa pendência em cerca de R$ 13 milhões na cotação atual.
Após a venda do zagueiro, o Esporte Clube Vitória segue lutando para receber os valores atrasados. O presidente Fábio Mota avaliou o caso como "absurdo" e afirmou que as pendências prejudicaram diretamente o caixa do clube baiano. Segundo ele, o atraso fez "muita falta" ao Vitória, que chegou a suspender o pagamento das comissões de empresários de atletas.
Ainda em maio, Fábio Mota confirmou que o Vitória estudava acionar o Grêmio na Câmara Nacional de Resolução de Disputas (CNRD) para cobrar a parcela em atraso. A diretoria decidiu aguardar a entrada em vigor de um instrumento considerado mais ágil: a Agência Nacional de Regulação e Sustentabilidade do Futebol (ANRESF), criada dentro do novo Sistema de Sustentabilidade Financeira do futebol brasileiro, cujas normas entraram em vigor em 1º de janeiro de 2026.
Nos bastidores, a negociação ganhou novo contorno após a saída do zagueiro Viery para a Fiorentina. Esta é a segunda tentativa do Vitória de repatriar Wagner Leonardo em 2026. Em março, a diretoria chegou a procurar o Grêmio, mas o então treinador Luis Castro considerou o zagueiro importante para o elenco e vetou a saída.
O zagueiro tem interesse em retornar ao Vitória, mas a negociação esbarra na falta de acordo entre os clubes. O Grêmio pretendia utilizar o valor que ainda deve ao Rubro-Negro como parte do pagamento por uma recompra do atleta, modelo que não foi aceito pela diretoria baiana. Diante do impasse, o Vitória segue monitorando a situação, mas não há negociação em andamento no momento.
Segundo o portal UOL, as diretorias chegaram a intensificar conversas e a um acordo praticamente fechado, restando apenas detalhes burocráticos para que a transferência seja oficializada, com expectativa de que o defensor desembarque em Salvador na abertura da janela, em 20 de julho. O Vitória, porém, ainda não confirmou oficialmente qualquer acerto.
Wagner Leonardo construiu uma história marcante com a camisa rubro-negra. Foram 97 partidas, 11 gols e uma assistência. Chegou em 2023, tornou-se titular imediato e foi peça central no título da Série B daquele ano — a primeira conquista nacional do clube. Em 2024, com a faixa de capitão, liderou o time na conquista do Campeonato Baiano, com vitória sobre o rival Bahia na decisão. Wagner Leonardo se tornou a maior venda da história do Vitória, com negociação que girou em torno de R$ 26 milhões.
O impasse atual mistura mercado, dívida e disputa jurídica. Para que a repatriação se concretize, o Grêmio precisará avançar no pagamento dos valores pendentes — condição que o Vitória trata como inegociável.







